O Banco Mundial reduziu nesta quinta-feira (11) sua previsão de crescimento da economia global ao menor nível desde a pandemia de covid-19, devido à propagação para todo o planeta das consequências da guerra no Oriente Médio. 

O crescimento mundial cairá para 2,5% em 2026, em comparação com 2,9% no ano anterior, com uma inflação média de de 4%, segundo o relatório Perspectivas Econômicas Globais da instituição internacional.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou a disparada dos preços da energia, com uma inflação mais acentuada, com potencial para maiores custos de endividamento à medida que os bancos centrais tentam conter o forte aumento dos preços. 

O BM anunciou que está disponibilizando de maneira imediata até 60 bilhões de dólares (310 bilhões de reais) para os países em desenvolvimento mais afetados pela crise. 

A instituição acrescentou que o valor pode aumentar para 100 bilhões de dólares (517 bilhões de reais) em um prazo de 15 meses.

"Em resposta ao choque atual, estamos proporcionando liquidez onde ela é necessária agora. E estamos preparados com financiamento adicional, garantias e soluções do setor privado se as pressões se intensificarem", disse Ajay Banga, presidente do BM.

As previsões de crescimento para dois terços das economias do mundo foram revisadas para baixo no novo relatório, na comparação com as perspectivas de janeiro. 

Os economistas do BM alertaram para a natureza desigual do choque, que afeta mais os países de baixa renda e em desenvolvimento do que as economias avançadas.

"No momento, a Ásia é a parte mais afetada da economia global", afirmou Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial. 

"O oeste da Ásia está sendo atingido pelo conflito. O sul da Ásia é afetado pelos preços maiores do petróleo, gás, minerais e fertilizantes", disse. 

"O Sudeste Asiático, países como Filipinas, estão sofrendo com os preços mais elevados dos combustíveis e dos minerais, enquanto o nordeste asiático também está enfrentando os mesmos efeitos".

Entre os países que registraram as maiores reduções na previsão do crescimento do PIB estão Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Turquia e Bangladesh.

A América Latina e o Caribe são afetados apenas levemente, com uma redução a 2,2% (contra a previsão de 2,3% em janeiro). 

Gill destacou os vários choques que abalaram a economia mundial nos últimos anos — entre eles a pandemia, a mudança climática, a invasão russa da Ucrânia, as guerras tarifárias do presidente americano Donald Trump e agora o conflito no Irã — como fatores que minaram a resiliência econômica dos países. 

"O primeiro passo é acabar com os conflitos na Ucrânia, no Golfo e na África Central, e não iniciar novas guerras", afirmou. 

"A guerra em qualquer lugar é ruim para os pobres".

- "Década perdida" -

O cenário de referência do BM, no qual as projeções são baseadas, indica que o preço do petróleo do tipo Brent terá uma cotação média de 94 dólares (486 reais) por barril em 2026 e que as perturbações no fornecimento de energia terminarão em julho.

Porém, se as interrupções energéticas se revelarem mais graves e os problemas de oferta gerarem volatilidade nos mercados financeiros e perda de confiança, o crescimento global poderá cair para 1,3%, advertiu o Banco.

Neste cenário, a inflação global geral teria a média de 4,4%. 

A intensidade dos efeitos do conflito varia em função do tamanho econômico geral dos países, de suas reservas de energia e de sua exposição às cadeias de suprimentos afetadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

O relatório chama os anos 2020 de "década perdida" em termos de avanços das perspectivas econômicas dos países em desenvolvimento, após uma série de choques.

"Exceto por um milagre, a década de 2020 acabará sendo aquilo que seu início nefasto prenunciava: uma década perdida (...) para dezenas de economias em desenvolvimento", afirma o documento.

- Insegurança alimentar -

Um dos principais efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz foi a interrupção de quase um terço do fornecimento mundial de fertilizantes, com efeitos colaterais sobre a segurança alimentar. 

"Se o conflito persistir, o próximo fator afetado será o preço dos alimentos, e isso significará problemas para o norte da África e a África subsaariana", afirmou Gill.

O relatório pede uma ação coordenada de política global para enfrentar o problema, incluindo a necessidade de "reforçar os mecanismos de assistência alimentar de emergência e estabelecer corredores humanitários para evitar um agravamento maior".

Mesmo antes do conflito no Oriente Médio, a insegurança alimentar global já estava aumentando. Analistas calculam que, em 2025, 12% da população mundial enfrentava uma situação de insegurança alimentar grave, dois pontos percentuais a mais que em 2019.

Os países da África subsaariana — entre eles Burkina Faso, República Democrática do Congo, Mali, Níger, Sudão e Sudão do Sul — estão particularmente expostos aos efeitos da crise atual. 

Os Estados afetados diretamente por conflitos como Síria, Líbano e Iêmen também são vulneráveis à insegurança alimentar.

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