O partido do primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinian, venceu as eleições legislativas, segundo os primeiros resultados divulgados nesta segunda-feira (8), que consolidam a guinada do país do Cáucaso em direção ao Ocidente, apesar das ameaças da Rússia.

Nos últimos anos, o chefe de Governo tentou reduzir a dependência da ex-república soviética em relação a Moscou, ao mesmo tempo em que intensificou as relações com a União Europeia e os Estados Unidos.

O partido de Pashinian, Contrato Civil, recebeu 49,8% dos votos nas eleições de domingo (7), com ampla vantagem sobre a aliança Armênia Forte, do bilionário russo-armênio Samvel Karapetian (23,3%), informou a Comissão Eleitoral Central após a apuração dos resultados de todas as seções.

O Parlamento será completado por outras duas forças de oposição: a aliança Armênia, do ex-presidente Robert Kocharian (9,9%), e o partido Armênia Próspera (4%).

A taxa de participação na eleição foi de 59%, informou a comissão.

Pashinian celebrou a "vitória histórica" de seu partido, que "garantirá a eternidade e o desenvolvimento da Armênia".

Ele prometeu prosseguir com a "aproximação com o Ocidente" e, ao mesmo tempo, desenvolver as relações da Armênia com a Rússia.

Seu rival Karapetian chamou a eleição de "vergonhosa" e denunciou irregularidades e repressão, alegando que dezenas de membros de sua equipe de campanha foram detidos.

O Comitê de Investigação da Armênia informou que abriu 59 processos penais por supostas violações eleitorais — incluindo voto múltiplo — e anunciou a detenção de nove pessoas.

- Ressentimento e ameaças -

Oficialmente, Armênia e Rússia, unidas por dois séculos de história em comum dentro do império russo e da União Soviética, continuam aliadas, mas Pashinian se distanciou de Moscou nos últimos anos.

O pequeno país de maioria cristã segue abalado por sua derrota militar para o Azerbaijão em 2020 e pela perda de Karabakh em 2023, que provocou o êxodo de dezenas de milhares de armênios deste território montanhoso que é alvo de disputa há várias décadas.

O primeiro-ministro armênio critica a Rússia, que tem forças de manutenção da paz na região, por não ajudar a Armênia e por não evitar a tomada de Karabakh, preocupada em preservar suas relações com o Azerbaijão.

Com o cenário, Pashinian congelou a participação armênia em uma aliança regional liderada por Moscou e buscou reforçar os laços com Bruxelas e Washington, chegando inclusive a mencionar uma possível adesão de seu país à UE.

A Rússia reagiu com irritação diante da possível perda de mais um aliado no que considera sua área de influência.

Em maio, o presidente russo, Vladimir Putin, fez uma ameaça velada: "Todos vemos o que está acontecendo agora com a Ucrânia (...) Como tudo começou? Com a tentativa da Ucrânia de aderir à UE".

Na véspera das eleições, surgiram acusações de que o Kremlin tentou influenciar a votação. Analistas apontaram estratégias de desinformação online que destacavam os perigos da cooperação com o Ocidente.

Além disso, nas semanas que antecederam a votação, a Rússia proibiu a importação de vários produtos da Armênia, medida interpretada como uma tentativa de exercer pressão econômica sobre o país.

"O povo da Armênia, embora esteja submetido a uma forte pressão russa, decidiu apostar em um futuro europeu", celebrou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.

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