O Irã respondeu, neste sábado (6), a um ataque americano com o disparo de vários mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, aliados de Washington no Golfo, em novas hostilidades que ameaçam a trégua vigente desde abril.
Semanas de negociações complexas, marcadas por ameaças e episódios de violência, não resultaram em um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o comércio global de combustíveis.
Divergências sobre a gestão desta passagem, o programa nuclear iraniano e as sanções contra Teerã, assim como os combates no Líbano entre Israel e o movimento Hezbollah pró-iraniano, dificultam os avanços diplomáticos.
Neste sábado, o pequeno reino insular do Bahrein, que abriga o quartel-general da Quinta Frota americana, denunciou o lançamento de sete mísseis contra seu território e contra o Kuwait, no segundo ataque em três dias.
Comunicados governamentais dos dois países condenaram a "agressão descarada" do Irã e advertiram contra uma "escalada perigosa".
Jornalistas da AFP ouviram fortes explosões em Manama, capital bahreinita, e perto do aeroporto internacional do Kuwait, onde uma pessoa morreu em outro ataque na quarta-feira.
"Fomos acordados por uma enorme explosão. As explosões eram muito fortes", contou à AFP no Kuwait a egípcia Reem, mãe de dois filhos. "Meus filhos ficaram apavorados e não conseguia acalmá-los", acrescentou.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com o ataque israelense-americano contra o Irã, as ricas monarquias do Golfo, antes consideradas um refúgio seguro na região, se viram na linha de fogo da represália iraniana.
- "Em ponto morto" -
Após mais de um mês de ataques que dizimaram a cúpula do poder iraniano, entrou em vigor em 8 de abril um frágil cessar-fogo, respeitado em grande parte, mas salpicado por hostilidades esporádicas.
Na sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que suas forças "derrubaram quatro drones" que se dirigiam ao Estreito de Ormuz e atacaram duas instalações de radares no Irã.
O Centcom assegurou que não houve feridos em suas fileiras, nem danos em sua infraestrutura militar.
Em resposta, o Irã atacou com mísseis "bases inimigas na região", afirmou, mais cedo neste sábado, a Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano denunciou ataques noturnos americanos contra instalações de radar e de vigilância costeira no Golfo e os qualificou de uma "violação flagrante do cessar-fogo".
Trata-se de "uma agressão militar contra a soberania nacional e a integridade territorial da república islâmica do Irã", afirmou a Chancelaria em um comunicado, no qual condenou "o comportamento hostil e provocador do regime americano".
Os esforços diplomáticos se viram estagnados mais de uma vez, enquanto o conflito abala os mercados mundiais e aumenta a pressão política sobre o presidente americano, Donald Trump, antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro.
"As negociações estão em ponto morto e Trump deve romper este ponto morto", declarou Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, em entrevista à CNN na sexta-feira.
O conselheiro do aiatolá deu como condição para avançar o desbloqueio de 24 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 123 bilhões) de ativos iranianos no exterior, que estão congelados pelas sanções americanas.
"Esse é nosso dinheiro, não o dinheiro dos Estados Unidos", afirmou.
- O front libanês -
Outra exigência de Teerã é o fim dos combates no Líbano, arrastado para a guerra quando o Hezbollah atacou Israel em 2 de março para vingar a morte do anterior líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
Após uma trégua em meados de abril que nenhuma das partes respeitou, representantes israelenses e libaneses chegaram a um novo acordo esta semana em Washington, que tampouco interrompeu as hostilidades.
Neste sábado, o exército libanês informou que um ataque israelense no sul do país tinha provocado a morte de três militares, "dois oficiais - um general e um capitão - assim como de um soldado".
O pacto sujeita o cessar-fogo à "cessação total" dos disparos do Hezbollah e prevê que o exército israelense possa manter suas operações no sul do Líbano.
O Hezbollah o rejeitou e exigiu um cessar-fogo "global" e a retirada total de Israel do país.
Diante do fracasso desta nova trégua, o presidente libanês, que exige o desarmamento do Hezbollah, instou o Irã a não interferir em seus assuntos.
"Este não é seu país, é o nosso", disse o presidente libanês, Joseph Aoun.
O chanceler iraniano, Ahbas Araghchi, respondeu rapidamente e recomendou que Aoun se concentre em Israel. "Salve o Líbano do seu verdadeiro inimigo, senhor presidente", afirmou.
Os ataques israelenses contra o Líbano deixaram mais de 3.560 mortos desde o início do conflito, segundo o último balanço oficial. Do lado israelense, 27 militares e um funcionário terceirizado civil morreram.
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