Dez anos após o assassinato, em 2016, da ambientalista indígena hondurenha Berta Cáceres, pelo qual oito pessoas foram condenadas, sua filha continua exigindo justiça, em uma entrevista concedida nesta sexta-feira (5) à AFP.
Cáceres, coordenadora do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), se opôs a um projeto de barragem hidrelétrica no rio Gualcarque, no oeste de Honduras.
A justiça determinou que a ativista, então com 44 anos, foi assassinada por este motivo por homens armados que invadiram sua casa na comunidade de La Esperanza, no oeste de Honduras, à meia-noite de 2 de março de 2016.
Desde então, oito pessoas, incluindo Roberto David Castillo, presidente executivo da Desarrollos Energéticos (DESA), empresa responsável pela construção da barragem, foram condenadas a penas de prisão que variam entre 22 e 50 anos.
No entanto, durante uma entrevista à AFP em Genebra, Bertha Zúñiga Cáceres indicou que está fazendo campanha para divulgar o relatório publicado no início do ano pelo Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) para Honduras.
Segundo ela, o relatório pede para "investigar a autoria intelectual do crime", sobre "crimes conexos ou crimes financeiros" e "construir um plano de reparação para as vítimas".
- "Pressão sobre o Estado" -
O objetivo é "divulgar o relatório e também exercer um pouco de pressão sobre o Estado de Honduras para que possa cumprir as recomendações emitidas por este grupo", explicou.
Criado em 2025 por meio de um acordo entre o governo de Honduras, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a família de Berta Cáceres, o GIEI considerou que as responsabilidades pelo assassinato remontam para além do presidente executivo, tanto dentro da empresa DESA quanto em seu entorno econômico.
O GIEI também estabeleceu que fundos provenientes de empréstimos concedidos ao projeto hidrelétrico pelo banco de desenvolvimento holandês FMO e o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) haviam sido desviados por responsáveis da DESA - vinculada à poderosa família hondurenha Atala Zablah - para financiar atividades de vigilância e, segundo os especialistas, o assassinato da ambientalista.
"Esta falta de controle sobre estes financiamentos resultou neste crime e em outra série de violações de direitos humanos. Portanto, é importante que estes atores financeiros também assumam a responsabilidade sobre suas ações", declarou Camilo Bermúdez, membro do COPINH, que acompanhava Cáceres na Suíça, à AFP.
Em março deste ano, a ONG Anistia Internacional lamentou, em um comunicado, que "quem ordenou o crime continua impune, e as condições estruturais que levaram a esta tragédia não mudaram".
"A cada ano continuamos lamentando mais violência e assassinatos de pessoas que defendem a água e as florestas em Honduras", destacou a ONG.
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