O centro de detenção El Helicoide, símbolo de tortura na Venezuela, ficou praticamente vazio na quinta-feira (4) após os detentos ali mantidos serem transferidos para várias outras prisões pelo país. 

O El Helicoide é uma joia arquitetônica que, na década de 1950, deveria ter sido um shopping center, mas acabou se tornando uma prisão; suas paredes testemunharam tortura e sofrimento, especialmente por presos políticos. 

O fechamento dessa instalação sombria não impediu que as famílias dos presos denunciassem a falta de transparência no processo e lamentassem a transferência dos detentos para prisões distantes, o que dificulta as visitas. 

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que a "infame prisão El Helicoide foi fechada", embora ainda houvesse pessoas sendo mantidas no local. 

Uma série de transferências de presos teve início na quarta-feira, confirmaram familiares à AFP, mas as autoridades não forneceram informações sobre a realocação dos detentos, o que gerou incerteza entre as famílias e organizações de direitos humanos devido à falta de informações oficiais.

No entanto, o deputado governista Jorge Arreaza, que preside a comissão parlamentar responsável por supervisionar o processo de anistia, questionou as críticas relacionadas às transferências de presos. 

"A campanha contra El Helicoide foi feroz: o pior 'centro de tortura' desde a Idade da Pedra. Medidas estão sendo tomadas para fechá-lo e transformá-lo. Como consequência inevitável, os detentos são transferidos para outros centros de detenção. Mesmo assim, fazem escândalo. Quem consegue entendê-los?", escreveu Arreaza no X.

- "Totalmente vazio" -

Segundo relatos, o local foi deixado "totalmente vazio; não restaram nem prisioneiros detidos por outros delitos nem presos políticos", disse à AFP Andreína Baduel, do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve). 

A ativista é filha do general Raúl Baduel, que foi ministro da Defesa durante o governo de Hugo Chávez (1999–2013) e morreu nessa prisão em 2021. 

Durante a noite, o grupo retornou a El Helicoide para realizar uma vigília, como vem fazendo há 147 dias, a fim de exigir a libertação dos presos políticos. 

"Continuamos insistindo: não há razão para que esses indivíduos estejam detidos, muito menos para que suas famílias sejam submetidas à incerteza de não saber como eles estão", afirmou o comitê na rede social X. 

A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou o fechamento da prisão em janeiro, semanas após a captura de Nicolás Maduro durante uma incursão dos EUA que incluiu bombardeios a Caracas e cidades vizinhas.

A área ao redor da prisão parecia tranquila durante o dia. Um dos agentes que faziam a guarda do local disse a um jornalista da AFP que "não sobrou ninguém" lá dentro. 

Na quarta-feira, familiares reunidos do lado de fora de El Helicoide foram tomados pelo choro e desespero, sem conseguir obter informações sobre o paradeiro de seus entes queridos enquanto enfrentavam uma barreira de agentes uniformizados. 

O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) expressou preocupação com a falta de informações sobre as transferências, ressaltando que "as autoridades não divulgaram uma lista oficial". A ONG informou que havia mais de 70 presos em El Helicoide. 

O ex-deputado Renzo Prieto, que passou quatro anos e 23 dias em El Helicoide, disse à AFP que, além do fechamento dessa prisão e de "outros centros de tortura", é fundamental que "o Estado mude sua política repressiva". 

"Caso contrário, é apenas um teatro", observou ele, lembrando como, durante o tempo em que esteve lá, viu pessoas dormindo nas escadas e "com ratos que, às vezes, mordiscavam os dedos de seus pés".

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