Especialistas argentinos em hantavírus estimaram neste sábado (30) que o recente surto em um navio de cruzeiro, que deixou três mortos e gerou alarme mundial, parece estar "bastante controlado", segundo afirmaram durante o congresso anual da Sociedade Argentina de Infectologia, em Buenos Aires.

O surto de hantavírus ocorreu a bordo do navio de bandeira neerlandesa MV Hondius, que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, e fez escala em ilhas remotas do sul do oceano Atlântico antes de seguir para o norte em direção a Cabo Verde e depois a Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde os passageiros restantes foram evacuados.

Em seu último relatório, divulgado na quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou 13 casos, incluindo três mortes, e afirmou que não haviam sido registradas novas mortes desde 2 de maio.

O surto "parece estar bastante controlado", afirmou Carla Bellomo, bióloga do Laboratório de Hantavírus do Instituto Malbrán, um centro argentino de pesquisa e diagnóstico epidemiológico, diante de um auditório lotado.

Na conferência, Esteban Couto, assessor médico do Ministério da Saúde da Argentina, Teresa Strella, infectologista e epidemiologista do hospital de Puerto Madryn, e Enzo Lavarra, coordenador de infectologia do hospital de Esquel, ambos na província de Chubut, concordaram com essa avaliação.

Transmitido pelo rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus), o hantavírus é um vírus raro para o qual não existem vacinas nem tratamentos específicos.

O surto no cruzeiro corresponde à cepa Andes, a única conhecida por ser transmissível entre seres humanos, e que circula no sul do Chile e da Argentina.

Apesar da repercussão mundial gerada pelo episódio, os especialistas destacam que o risco de a situação sair do controle é baixo.

"Não deve ir muito além do ponto em que está agora", disse Lavarra, da região andina da Patagônia, onde vive o roedor.

Lavarra trabalhou com pacientes afetados pelo surto anterior de hantavírus Andes, ocorrido cerca de 120 quilômetros ao norte de Esquel, em Epuyén, que deixou 34 infectados e 11 mortos entre dezembro de 2018 e março de 2019.

Para Strella, também "parece que termina aqui", embora tenha ressaltado que o hantavírus representa um grande desafio para a saúde pública, exigindo "reflexão e consciência coletiva".

Uma missão científica em Ushuaia, a cidade mais austral da Argentina, capturou mais de cem roedores para análise, embora não tenha encontrado entre eles nenhum rato-de-cauda-longa, informou em 21 de maio uma autoridade sanitária.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

mry/ad/am

compartilhe