Altos comandantes militares dos Estados Unidos e de Cuba se reuniram nesta sexta-feira (29) em Guantánamo, em meio à deterioração das relações entre os dois países devido à ameaça do presidente Donald Trump de tomar o poder da ilha.

O encontro ocorreu na base que os Estados Unidos mantêm no extremo sudeste da ilha comunista. O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, reuniu-se com o general cubano Roberto Legrá Sotolongo, vice-ministro das Forças Armadas Revolucionárias e chefe de seu Estado-Maior, "para uma breve troca de informações sobre assuntos de segurança operacional", informou o Comando Sul pelo X.

O Ministério das Forças Armadas de Cuba destacou que “ambas as delegações consideraram positivo o encontro” e concordaram em “manter a comunicação entre os dois comandos militares”, segundo um breve comunicado divulgado no Facebook.

O presidente Trump multiplicou suas ameaças contra Cuba, situada a 150 quilômetros da costa da Flórida, e que ele considera “uma ameaça extraordinária” para a segurança nacional dos Estados Unidos, sobretudo por suas relações com a Rússia, a China e o Irã.

As relações entre Havana e Washington se deterioraram desde janeiro, depois que os Estados Unidos impuseram um bloqueio petrolífero de fato contra a ilha, decretaram novas sanções contra empresas e dirigentes cubanos e indiciaram o ex-presidente Raúl Castro em um processo que remonta a 1996.

O cerco petrolífero americano, que já dura quatro meses, levou a economia da ilha, sob embargo de Washington desde 1962, à beira do colapso.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na semana passada que Washington “sempre preferiu uma solução diplomática”, mas advertiu que Trump tinha outras opções para Cuba.

- Contatos diplomáticos -

Donovan liderou uma avaliação da segurança do perímetro da instalação americana e discutiu a segurança do pessoal militar, indicou o Comando Sul em seu comunicado.

"A Estação Naval da Baía de Guantánamo é um centro operacional e logístico vital, que apoia os esforços militares dos Estados Unidos para combater ameaças que minam a segurança, a estabilidade e a democracia em nosso hemisfério", afirmou.

Já o Ministério das Forças Armadas de Cuba detalhou que durante o encontro “foram abordados temas relacionados à segurança em torno do perímetro divisório do enclave militar” americano.

Cuba teria considerado distintos cenários para utilizar drones contra a base de Guantánamo, e até mesmo contra o território dos Estados Unidos, segundo informou há algumas semanas a imprensa americana.

Apesar da tensão, ambos os governos afirmam manter seus contatos diplomáticos, ainda que tratem com discrição o andamento das conversas. Nesta quinta-feira, Havana questionou a postura de Washington no diálogo bilateral.

“Esperamos que prevaleça a via do diálogo” em um momento em que “as ações agressivas que o governo dos Estados Unidos empreende contra Cuba colocam em dúvida a seriedade e responsabilidade com que assume esse processo”, comentou a vice-chanceler cubana, Josefina Vidal, em uma audiência parlamentar.

A diplomata, de 65 anos e figura-chave no restabelecimento das relações entre os dois países em 2015, destacou que Havana apostou no diálogo, mas “não para que os Estados Unidos tentem dominar o destino de Cuba por meio da pressão, da coerção e da ameaça de agressão militar”.

Na última terça-feira, o chanceler Bruno Rodríguez pediu à comunidade internacional ajuda urgente para evitar um desastre na ilha, em discurso perante o Conselho de Segurança da ONU.

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