Manifestantes que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz na Bolívia rejeitaram nesta sexta-feira (29) os novos apelos do governo para dialogar e ampliaram os bloqueios de estradas que cercam há um mês a capital política do país, constatou a AFP.

Camponeses, operários, mineiros, transportadores e professores pedem ao presidente de centro-direita, há seis meses no poder, uma saída para a crise econômica, a pior em quatro décadas, mas suas reivindicações se radicalizaram ao considerarem que não foram ouvidos.

Vestidos com ponchos e mascando folhas de coca, centenas de camponeses aimarás tomaram nesta sexta-feira a principal rodovia que conecta a cidade de El Alto, a 4.100 metros de altitude, com La Paz, sede do governo.

"Fomos convidados [para conversar], mas nós mesmos dissemos: não podemos dialogar, este governo tem que sair", disse à AFP Juan Hidalgo, dirigente dos Ponchos Vermelhos, poderoso sindicato camponês que protesta nos arredores de La Paz.

Enormes blocos de concreto impediam a passagem de veículos, enquanto mulheres de pollera distribuíam os almoços. "Renuncie hoje mesmo ou convoque eleições", acrescentou Hidalgo, cercado por outros agricultores que carregavam seus chicotes a tiracolo.

Nesta sexta-feira foram registrados mais de 70 bloqueios de rodovias no país, segundo a estatal Administradora Boliviana de Estradas, cerca de vinte a mais do que no início da semana.

Na quarta-feira, Paz, durante um ato público, convidou "pela última vez" os principais sindicatos operários e camponeses para negociar. "Se não quiserem dialogar, então virá a lei", disse.

O presidente tem sinal verde para decretar estados de exceção e controlar protestos com militares, depois que o Congresso eliminou uma norma que limitava essa possibilidade.

O vice-presidente Edmand Lara, declarado opositor de Paz, promove uma comissão de diálogo com representantes do governo, do Parlamento, da Igreja Católica e da Defensoria do Povo.

Mas os principais manifestantes, os operários e os camponeses, não compareceram a nenhuma das sessões.

Mario Argollo, principal dirigente da Central Operária Boliviana, o maior sindicato do país, tem uma ordem de prisão por supostos crimes de "incitação ao crime" e "terrorismo".

Sua entidade se recusa a conversar com o governo enquanto a medida não for revogada.

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