Organizações internacionais, entre elas o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), alertaram nesta sexta-feira (29) para o risco de uma escassez de petróleo caso o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz não volte rapidamente à normalidade.

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, levou Teerã a fechar Ormuz, o que interrompeu o tráfego marítimo por esse estreito, por onde transita aproximadamente 20% dos hidrocarbonetos em nível mundial.

"As reservas mundiais de petróleo estão diminuindo em um ritmo recorde devido à importante perda de oferta que passa pelo Estreito de Ormuz", alertaram em um comunicado conjunto o FMI, o BM, a Agência Internacional de Energia (AIE) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), após uma reunião de seus dirigentes.

"Se a circulação marítima não voltar à normalidade, uma redução rápida e contínua das reservas mundiais antes do pico de demanda do verão no hemisfério norte representaria um risco crescente em termos de segurança energética (...) e, em um sentido mais amplo, de resiliência da economia", advertiram.

Os países emergentes e em desenvolvimento, especialmente na Ásia, estão entre as primeiras vítimas dessa queda na oferta de petróleo, e alguns chegaram inclusive a adotar medidas para reduzir o consumo.

Em seu comunicado, as quatro instituições lembraram que "embora a economia mundial continue demonstrando resiliência, os efeitos do conflito afetam de maneira desproporcional os países mais vulneráveis", devido ao aumento dos preços do petróleo e dos fertilizantes.

Durante as reuniões do FMI e do BM, em meados de abril, a diretora-geral do Fundo, Kristalina Georgieva, assegurou que a instituição estava preparada para enfrentar um aumento da demanda por ajuda por parte dos países em dificuldades.

Naquele momento, ela estimou entre 20 e 50 bilhões de dólares (100,7 a 251,8 bilhões de reais, na cotação atual) o montante da ajuda adicional que poderia ser necessária em razão da guerra.

Embora as três partes beligerantes tenham chegado a um acordo para um cessar-fogo, prorrogado uma primeira vez e até agora respeitado de modo geral, Washington e Teerã ainda não conseguiram chegar a um entendimento sobre um texto comum que permita uma saída para a crise.

O Irã, por sua vez, colocou em andamento as estruturas administrativas necessárias para taxar de forma permanente o tráfego marítimo que passa pelo estreito, que o país compartilha com o sultanato de Omã.

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