A União Europeia precisa agir com mais firmeza para reequilibrar sua relação comercial com a China, afirmou o braço Executivo do bloco, nesta sexta-feira (29), após conversas sobre a proteção de setores críticos da concorrência chinesa. 

"A China é um parceiro fundamental e o diálogo e o engajamento continuarão. Ao mesmo tempo, o estado atual da relação comercial e de investimentos não é sustentável", declarou a Comissão Europeia. 

"À medida que os interesses econômicos e de segurança se entrelaçam cada vez mais, ambas as dimensões exigirão uma resposta mais contundente", acrescentou. 

A UE está cada vez mais preocupada com seu déficit comercial com a China, que atingiu 419 bilhões de dólares (cerca de 2,1 trilhões de reais) no ano passado. 

Os comissários europeus se reuniram para discutir quais medidas o bloco poderia tomar. 

O Executivo europeu afirmou que sua "abordagem geral continua sendo a redução de riscos, não a desvinculação", já que o bloco de 27 membros deseja manter as relações comerciais com a China, mas reduzir sua dependência.

A Comissão Europeia indicou que o debate "orientará os trabalhos nas próximas semanas", antes de novas conversas sobre a China e os desequilíbrios comerciais na cúpula do G7, que reunirá chefes de Estado na França de 15 a 17 de junho, e em um encontro de líderes europeus em Bruxelas, de 18 a 19 de junho. 

Nos últimos meses, Bruxelas aumentou significativamente seus planos de apoio à indústria, cuja sobrevivência está ameaçada pela supercapacidade de seus concorrentes chineses, financiados por Pequim. 

Essas medidas incluem a duplicação, a partir de julho, das tarifas europeias sobre as importações de aço e a iniciativa "Made in Europe" (Feito na Europa) em contratos públicos, apresentada em março. 

O bloco europeu também foi afetado pelas restrições impostas no ano passado por Pequim ao fornecimento de elementos de terras raras e componentes eletrônicos, que desencadearam crises que evidenciaram sua extrema dependência da China. 

Isso levou Bruxelas a diversificar suas trocas comerciais por meio da assinatura acelerada de acordos de livre comércio, da Índia e México à Indonésia e ao Mercosul.

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