A Romênia, membro da Otan, acusou a Rússia nesta sexta-feira (29) de uma "escalada irresponsável" após um drone ter caído em um prédio residencial e causado ferimentos leves em duas pessoas em Galati, perto da fronteira com a Ucrânia.
O presidente romeno, Nicusor Dan, convocou o Conselho Supremo de Defesa Nacional nesta sexta-feira após o ataque com drone, que também foi condenado pela Otan e pela União Europeia.
Aqui está o que se sabe sobre os impactos:
- O que aconteceu? -
Um drone entrou no espaço aéreo romeno e caiu no telhado de um prédio residencial, ferindo levemente duas pessoas.
Segundo o Ministério da Defesa, a Rússia atacou com drones na madrugada de sexta-feira "alvos civis e infraestruturas na Ucrânia, perto da fronteira fluvial com a Romênia".
"Um desses drones entrou no espaço aéreo romeno", afirmou o ministério em comunicado.
O dispositivo "foi rastreado por radar até a parte sul da cidade de Galati e então caiu no telhado de um prédio residencial, causando um incêndio no impacto", acrescentou.
- Por que o drone não foi interceptado? -
As forças romenas não tiveram tempo suficiente para derrubar o drone, afirmou um oficial da defesa, acrescentando que não havia "oportunidades realistas para neutralizá-lo com segurança".
"O tempo que tínhamos — quatro minutos — foi extremamente curto", disse o general Gheorghe Maxim, do Comando Conjunto, em uma coletiva de imprensa.
O presidente romeno, Nicusor Dan, afirmou que a decisão de não intervir foi tomada "porque não havia as condições necessárias para destruí-lo sem colocar em risco a segurança da população civil".
- Como Romênia e seus aliados responderam? -
O presidente romeno convocou o Conselho Supremo de Defesa Nacional para "discutir as implicações do incidente mais grave" a afetar seu território desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.
"A natureza sem precedentes deste evento exige uma resposta firme, coordenada e proporcional nos níveis nacional, aliado e internacional", declarou Dan.
O Ministério das Relações Exteriores da Romênia convocou o embaixador russo em Bucareste.
"Este incidente constitui uma escalada grave e irresponsável por parte da Federação Russa", declarou o Ministério da Defesa.
O ministério acrescentou que Bucareste "solicitou medidas para agilizar a transferência de capacidades antidrones para a Romênia".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou na rede X que "a guerra de agressão cruzou mais uma linha vermelha" e expressou "total solidariedade" ao país.
Maia Sandu, presidente da Moldávia, país situado entre a Romênia e a Ucrânia que também sofreu repetidas incursões de drones em seu território, considerou a Rússia um "perigo para todos".
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, condenou o "comportamento imprudente da Rússia", e seu homólogo da França, Jean-Noël Barrot, criticou o "ato irresponsável".
- O que a Otan fará? -
A aliança militar transatlântica condenou o "comportamento irresponsável" da Rússia.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta sexta-feira que assegurou ao presidente Dan a "solidariedade absoluta" da aliança.
"O comportamento irresponsável da Rússia representa um perigo para todos nós", escreveu Rutte nas redes sociais após um telefonema com o presidente romeno.
"Reafirmei que a Otan está preparada para defender cada centímetro do território aliado", acrescentou.
Outros países da Otan, como Letônia, Estônia e Polônia, estão cada vez mais vulneráveis a incursões de drones em seus territórios por partes beligerantes.
O comandante militar de mais alta patente da Otan, o general americano Alexus Grynkewich, conversou com o chefe do exército romeno sobre o incidente, informou a aliança.
Fontes da Otan indicaram que não havia indícios de que Bucareste tivesse solicitado consultas de emergência nos termos do Artigo 4 da aliança.
Esse artigo estipula que os membros da Otan realizarão consultas "sempre que, a critério de qualquer um deles, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer das partes estiver ameaçada".
As consultas previstas no Artigo 4 foram convocadas três vezes durante a guerra em larga escala da Rússia contra a Ucrânia.
A primeira vez foi após a invasão da Ucrânia em 2022; a segunda, pela Polônia, após incursões de drones russos; e a terceira, pela Estônia, depois que caças russos violaram seu espaço aéreo.
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