O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, afirmou nesta quarta-feira (27) que "não há motivos" para retirar seu "apoio" ao seu antecessor José Luis Rodríguez Zapatero, que está sob investigação por tráfico de influência, após a publicação de novas revelações sobre o caso nos últimos dias.
"Ofereço meu total apoio ao presidente Zapatero", declarou Sánchez em uma coletiva de imprensa no Vaticano, após um encontro com o papa Leão XIV, enfatizando que "não há motivos para mudar essa postura".
"Naturalmente, comprometemo-nos a cooperar plenamente com a Justiça e a respeitar integralmente a presunção de inocência do presidente Zapatero", continuou Sánchez, observando que tomou conhecimento dos detalhes do extenso processo judicial de 4.000 páginas referente ao caso Zapatero por meio de reportagens da imprensa.
Entre os detalhes mais notáveis contidos no processo — ao qual a AFP teve acesso — estava a descoberta, no interior de um cofre pertencente a Zapatero, de inúmeras joias e relógios de luxo de valor indeterminado; itens que seu círculo próximo atribuiu a heranças familiares.
Esta foi a primeira coletiva de imprensa do primeiro-ministro desde que o escândalo envolvendo Zapatero eclodiu — um duro golpe para o governo de Sánchez, que já se encontrava fragilizado por diversas investigações judiciais contra indivíduos de seu próprio círculo, especialmente considerando que o político em questão era uma figura proeminente no movimento socialista e um aliado próximo.
Zapatero, no poder entre 2004 e 2011, é suspeito de ter influenciado, em troca de dinheiro, o resgate, com 53 milhões de euros (aproximadamente 309 milhões de reais), da pequena companhia aérea Plus Ultra durante a pandemia de covid-19.
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