Um tribunal de Paris começou a julgar, nesta terça-feira (26), um monitor escolar acusado de agredir sexualmente alunos da educação infantil, no primeiro julgamento público após o escândalo das denúncias de abusos em escolas da capital. 

Nos últimos meses, pais e mães acusaram monitores encarregados de supervisionar as crianças fora da sala de aula — durante os intervalos ou antes da saída — de maltratar ou agredir sexualmente os alunos sob sua responsabilidade. 

O novo prefeito de Paris, Emmanuel Gregoire, um socialista que afirma ter sofrido abusos sexuais durante uma atividade extracurricular no ensino fundamental, anunciou dezenas de suspensões e prometeu erradicar esse tipo de violência. 

David G., um jornalista independente de 36 anos que trabalhava em uma escola de educação infantil para complementar a renda, é acusado de agredir sexualmente cinco crianças e de assediar sexualmente duas colegas entre setembro de 2024 e abril de 2025. 

Outras quatro famílias também o acusam de agredir sexualmente seus filhos, mas o Ministério Público ainda não apresentou denúncia nesses casos. 

A Prefeitura informou que o acusado foi imediatamente suspenso em abril do ano passado, depois que os pais apresentaram queixas e o diretor alertou as autoridades. 

A polícia recolheu depoimentos de crianças muito pequenas que descreveram, com suas próprias palavras, como esse monitor tocava suas partes íntimas. 

O acusado, que pode ser condenado a dez anos de prisão e uma multa de 150 mil euros (cerca de 876 mil reais), nega as acusações. Mas admitiu ter violado as diretrizes, entre elas a proibição de um adulto colocar um aluno sentado em seu colo. Seu advogado não respondeu ao pedido de comentários da AFP. 

Em outro caso semelhante, julgado a portas fechadas no início de maio, o Ministério Público pediu 18 meses de prisão com suspensão condicional da pena para o acusado de 47 anos. A sentença é esperada para 16 de junho. 

Outros três julgamentos por abusos sexuais por parte de monitores escolares devem ser realizados até o início de setembro em Paris. Desde o início de 2026, 78 funcionários municipais foram suspensos em escolas parisienses, 31 deles por suspeita de violência sexual. 

Até o momento, o Ministério Público de Paris investiga possíveis atos de violência, de diferentes naturezas, em 84 escolas de educação infantil, cerca de vinte de ensino fundamental e dez creches.

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