O novo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, ofereceu uma orientação "reformista" ao prestar juramento em uma cerimônia solene na Casa Branca nesta sexta-feira (22).

O presidente Donald Trump prometeu na cerimônia que Warsh seria "totalmente independente", embora tenha deixado escapar que esperava que a luta contra a inflação, o objetivo primordial do Fed, não fosse em detrimento da "grandeza" econômica do país.

Trump exerceu uma pressão sem precedentes sobre o banco central para que reduzisse as taxas de juros, tentando destituir uma governadora do Fed e promovendo uma investigação criminal contra o antecessor de Warsh, Jerome Powell.

"Liderarei um Federal Reserve orientado para reformas, aprendendo com os sucessos e erros do passado, deixando para trás quadros e modelos estáticos e mantendo padrões claros de integridade e desempenho", afirmou Warsh após uma cerimônia de posse de grande impacto, com banda musical e um amplo painel de convidados em um dos salões da Casa Branca.

Warsh conclamou os governadores que se sentarão ao seu lado a perseguirem seus objetivos "com sabedoria e clareza, independência e determinação", e acrescentou que "a inflação pode ser mais baixa, o crescimento mais forte, o salário real líquido mais alto e os Estados Unidos podem ser mais prósperos" se assim o fizerem.

"Kevin entende que, quando a economia está em alta, isso é algo bom. Queremos conter a inflação, mas não queremos conter a grandeza", disse Trump antes.

Warsh já apoiou cortes de juros no passado, inclusive em momentos em que a maior economia do mundo enfrenta uma inflação em seu nível mais alto nos últimos três anos.

- Impugnação de governadora -

Os juízes Clarence Thomas e Brett Kavanaugh estavam entre os presentes nesta sexta-feira, e Thomas foi quem tomou o juramento de Warsh.

Segue pendente na Suprema Corte a impugnação da governadora do Fed Lisa Cook.

É incomum que o chefe do Fed, um órgão independente, preste juramento na Casa Branca. O último que o fez foi Alan Greenspan, em 1987, durante a presidência de Ronald Reagan.

Em sua audiência de confirmação no Senado, Warsh insistiu que “de forma alguma” seria um fantoche do presidente.

- Equilibrar mandatos -

Warsh assumirá o comando de um Fed dividido, que enfrenta uma inflação elevada - impulsionada pelo aumento dos preços da energia resultante da guerra de Trump contra o Irã - e um mercado de trabalho que mostra sinais de fraqueza.

O banco central dos Estados Unidos tem o duplo mandato de manter a inflação em sua meta de longo prazo de 2% e, ao mesmo tempo, preservar ao máximo o índice de emprego.

A inflação em abril em doze meses foi de 3,8%, a maior em três anos. O índice de confiança do consumidor caiu mais do que o previsto em maio, para 44,8 pontos.

Em uma reunião do Fed no mês passado, a maioria dos responsáveis pela política indicou que podem ser necessários aumentos de juros se a inflação continuar acima da meta de longo prazo do banco.

Warsh sustentou que os ganhos de produtividade derivados da inovação liderada pela inteligência artificial permitirão que a economia americana cresça rapidamente sem acrescentar pressões inflacionárias.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos se manteve relativamente estável em torno de 4,3% durante o último ano. Mas a criação de empregos oscilou bruscamente entre expansão e contração de um mês para o outro.

Potencialmente, um dos fatores que podem acrescentar dificuldades aos desafios de Warsh será o fato de que seu antecessor, Powell, decidiu permanecer no conselho como membro, uma decisão incomum, mas não sem precedentes, para um presidente que deixa o cargo.

Powell citou as ameaças à independência do Fed como a razão de sua decisão.

Nesta sexta-feira, o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse que esperava que Powell em breve "desse um passo ao lado" para que Warsh pudesse "ter um controle completo e simples sobre o Fed".

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