Cerca de 500 groenlandeses protestaram na noite de quinta-feira (21) em frente ao recém-inaugurado consulado dos Estados Unidos em Nuuk contra os planos do presidente americano, Donald Trump, de anexar o território administrado pela Dinamarca, conforme observou um jornalista da AFP. 

Os manifestantes agitavam bandeiras da Groenlândia e exibiam cartazes com mensagens em inglês como "Go home, USA" ("Voltem para casa, EUA", em tradução livre), "Make America Go Away!" ("Façam os EUA irem embora!") e "We are not for sale" ("Não estamos à venda"). 

Trump argumentou repetidamente que os Estados Unidos precisam controlar a Groenlândia por razões de segurança nacional, alegando que, caso contrário, o território poderia cair nas mãos da China ou da Rússia. 

Para Grethe Kramer Berthelsen, uma groenlandesa de 68 anos, o protesto tinha como objetivo esclarecer a situação. 

"A Groenlândia nos pertence. É o nosso país. Não pertence à Dinamarca nem aos Estados Unidos. Somos um povo e vivemos aqui, na Groenlândia", declarou. 

Os manifestantes viraram as costas para o consulado e fizeram dois minutos de silêncio para expressar seu descontentamento com os Estados Unidos.

"Devemos permanecer absolutamente unidos contra este ataque à Groenlândia", explicou a manifestante Anne Nyhus. "O que Trump e seus associados se permitem fazer é verdadeiramente ultrajante", lamentou. 

O novo consulado, localizado no coração da capital da ilha ártica, havia sido inaugurado pouco antes, na presença do embaixador dos EUA na Dinamarca, Kenneth Howery.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, recusou-se a comparecer à cerimônia.

No início da semana, ele recebeu o enviado especial de Trump para a Groenlândia, Jeff Landry, que chegou a Nuuk sem ser convidado, cinco meses após sua nomeação. 

Landry disse à AFP na quarta-feira que os Estados Unidos deveriam fortalecer sua presença no território autônomo dinamarquês. 

"É hora de os Estados Unidos reafirmarem sua presença na Groenlândia", disse após uma visita de quatro dias. "A Groenlândia precisa dos Estados Unidos", afirmou.

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