Pelo menos 24 pessoas, entre civis e policiais, morreram nesta quinta-feira (21) em dois ataques do crime organizado no norte de Honduras, informaram as autoridades, em um momento em que o país prepara uma ofensiva contra essas gangues.

O ataque mais letal ocorreu de madrugada no município de Trujillo, departamento de Colón, onde pelo menos 19 pessoas foram executadas com armas de grosso calibre.

Essa cidade sofre em meio ao conflito entre duas gangues rivais que usurpam duas fazendas de uma empresa privada para explorar óleo de palma, além de disputarem rotas do narcotráfico, segundo as autoridades.

“Há duas equipes trabalhando em dois locais. A primeira equipe já fez o reconhecimento de 13 mortos e a segunda contabiliza seis pessoas que perderam a vida”, disse à emissora local HCH Yuri Mora, porta-voz do Ministério Público.

Enquanto isso, em Omoa, departamento de Cortés, região fronteiriça com a Guatemala, a polícia nacional informou que quatro agentes e um civil morreram nesta quinta-feira em um confronto entre um esquadrão antigangues e supostos narcotraficantes.

“Condenamos o assassinato de pelo menos quatro de nossos policiais”, declarou a instituição no X.

Ambos os ataques ocorrem na mesma semana em que o Congresso aprovou uma série de reformas para combater a violência criminal, que mantém a taxa de homicídios em Honduras em mais de 24 casos para cada 100 mil habitantes.

As medidas autorizam os militares a participar de tarefas de segurança pública. Além disso, criam uma nova divisão de combate ao crime organizado e permitem classificar gangues e cartéis de drogas como grupos terroristas.

- “Cena dantesca” -

Vídeos divulgados mais cedo por um canal regional mostraram vários corpos ensanguentados e espalhados em uma das fazendas.

“É uma cena dantesca”, disse a jornalistas o ministro da Segurança, Gerzon Velásquez, que apontou que as vítimas aparentemente “foram executadas com fuzis e espingardas”.

Vários dos mortos foram levados para suas casas por familiares, informou o Ministério Público em comunicado, o que dificultou seu trabalho.

Quanto aos fatos em Trujillo, Velásquez afirmou que se trata de um episódio inédito em uma zona que, no entanto, está “em conflito há muitos anos” devido à atuação de gangues dedicadas ao narcotráfico e à invasão de terras agrícolas.

O chefe de polícia de Trujillo, Carlos Rojas, explicou a um telejornal local que essas organizações ocupam e exploram ilegalmente duas fazendas de palma africana.

Enquanto isso, o governo ordenou o envio de efetivos policiais e militares a Trujillo e Omoa.

Os corpos dos agentes ainda não foram resgatados, declarou a jornalistas um oficial de polícia.

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