A rainha Elizabeth II pressionou, segundo documentos publicados nesta quinta-feira (20), para que o ex-príncipe Andrew fosse nomeado enviado especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, em 2001, ocupando um cargo no qual suspeita que ele tenha repassado informações confidenciais a Jeffrey Epstein.

O governo britânico havia aceitado, em fevereiro, publicar estes arquivos relativos à nomeação de Andrew Mountbatten Windsor, após novas revelações sobre seus vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019.

Desde então, o irmão do rei Charles III é alvo de uma investigação policial, suspeito de "descumprimento no exercício de uma função pública", por ter transmitido documentos econômicos confidenciais a Epstein, quando era enviado comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011.

O ex-príncipe foi detido e mantido sob custódia policial por várias horas, em fevereiro, sem que, até o momento, tenha sido indiciado.

Os 11 documentos publicados nesta quinta-feira contêm, entre outras coisas, trocas de correspondência oficial anteriores à nomeação de Andrew.

Em uma destas cartas, datada de fevereiro de 2000, o ex-diretor da entidade responsável por apoiar as empresas britânicas na exportação, David Wright, resume suas conversas com o secretário particular da rainha Elizabeth II, que morreu em 2022.

Nela, afirma que a soberana "deseja" que Andrew, então duque de York, "substitua" o duque de Kent, primo da rainha, como enviado especial de Comércio.

"A rainha deseja firmemente que o duque de York desempenhe um papel de primeiro plano para promover os interesses nacionais", escreve, especificando adiante que aprova esta ideia.

Os documentos publicados não fornecem nenhum detalhe sobre a maneira como o ex-príncipe desempenhou sua função.

Em uma declaração escrita enviada ao Parlamento, o secretário de Estado de Comércio, Chris Bryant, especificou que "não existe prova alguma de que tenha sido realizado um processo formal de verificação" em relação a Andrew antes de sua nomeação, o que é "compreensível" tratando-se de um membro da família real.

Um porta-voz de Downing Street indicou que o governo comunicará "qualquer outro documento substancial" que possa vir a descobrir.

Em março, o governo publicou documentos relacionados a nomeação de seu ex-embaixador em Washington, Peter Mandelson, também alvo de uma investigação por ter compartilhado documentos confidenciais com Epstein, quando era ministro entre 2008 e 2010.

Marginalizado pela família real e destituído de seus títulos, o ex-príncipe Andrew foi obrigado a se mudar para Norfolk, leste da Inglaterra, longe de sua residência na propriedade real de Windsor.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

mhc/alm/psr/mab/rm-jc

compartilhe