Ativistas estrangeiros da flotilha de Gaza, capturada no mar por Israel, devem começar a ser deportados nesta quinta-feira (21), após a indignação internacional provocada por um vídeo de um ministro do governo que os mostra sendo humilhados na detenção.
A maioria dos participantes da flotilha humanitária estava sendo transferida para o Aeroporto Ramon, perto de Eilat, no sul de Israel, para serem deportados, informou nesta quinta-feira a organização israelense de direitos humanos Adalah, que presta assistência jurídica a eles.
Os cerca de 430 tripulantes a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre.
Eles foram então levados à força para Israel e detidos na prisão de Ktziot, informou a Adalah.
A ONG havia indicado na noite de quarta-feira que eles deveriam comparecer perante os tribunais com vistas à sua expulsão, mas um porta-voz da organização contatado pela AFP, Moatassem Zeidan, indicou que, em última instância, "eles não serão levados perante os tribunais".
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, anunciou que seu país organizará "voos especiais" nesta quinta-feira para repatriar seus cidadãos e os de "terceiros países".
No entanto, um ativista alemão-israelense que viajava no mesmo comboio marítimo, que partiu da Turquia depois que Israel interceptou uma flotilha anterior com destino a Gaza na costa da Grécia em abril, terá que comparecer perante um tribunal em Ashkelon.
Os militantes da "Global Sumud Flotilla" ("sumud" significa resiliência em árabe) queriam chamar a atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre o Hamas e Israel, ao romper o bloqueio marítimo que o Estado israelense impõe ao pequeno território costeiro palestino.
- Golpes e intimidações -
"Israel tem todo o direito de impedir que flotilhas provocativas de apoiadores terroristas do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza", declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na quarta-feira, referindo-se ao movimento islamista palestino que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Na quarta-feira, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, uma figura da extrema direita responsável pela polícia e administração penitenciária, provocou indignação internacional e até mesmo dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo dos militantes da flotilha ajoelhados com as mãos amarradas.
"Bem-vindos a Israel, estamos em casa", proclama ele de modo triunfal no vídeo, publicado em seu canal no Telegram e no X, com o hino nacional israelense tocando ao fundo.
As imagens mostram dezenas de ativistas ajoelhados lado a lado, com os rostos pressionados contra o chão e as mãos amarradas, no convés de um navio da Marinha israelense.
Uma jovem que gritou "Palestina livre" enquanto o ministro passava acabou com a cabeça pressionada contra o chão por forças de segurança.
As imagens divulgadas "não estão de acordo com os valores de Israel", declarou o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, acusando Ben Gvir de "prejudicar deliberadamente" a imagem do país. Ben Gvir, por sua vez, defendeu-as como "um grande motivo de orgulho".
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