Um grupo de acionistas da Samsung Electronics, gigante sul-coreana dos chips de memória, expressou oposição nesta quinta-feira (21) ao acordo estabelecido com os sindicatos para distribuir os lucros gerados pelo crescimento da inteligência artificial (IA), por considerá-lo ilegal.
Uma greve que estava programada para começar nesta quinta-feira na Samsung foi suspensa na quarta-feira, após a assinatura de um acordo salarial entre a direção e os sindicatos.
Segundo os termos divulgados nesta quinta-feira pelo grupo, os salários aumentarão 6,2% em média, com benefícios adicionais.
Em particular, a empresa estabelecerá um pacote especial de bônus, equivalente a 10,5% dos resultados da principal divisão de semicondutores, sem limite máximo de pagamento, mas condicionado ao cumprimento de metas anuais ambiciosas de lucro operacional.
O acordo de princípio ainda precisa ser ratificado pelos funcionários sindicalizados, com uma votação que começará no sábado e prosseguirá até 28 de maio.
Porém, um influente grupo de acionistas denominado "Korea Shareholder Action Headquarters" afirmou nesta quinta-feira que algumas medidas do acordo preliminar eram ilegais, durante uma manifestação perto da residência do presidente executivo da Samsung Electronics, Lee Jae-yong.
O grupo alega que as negociações sobre os "bônus vinculados ao lucro operacional não foram objeto de uma resolução na assembleia geral de acionistas" e carecem de "validade jurídica", segundo a legislação sul-coreana.
Se a Samsung Electronics e os sindicatos ratificarem o acordo "contornando" os procedimentos exigidos, o grupo alerta que recorrerá "a todos os meios legais ao seu alcance para bloquear qualquer liberação de fundos".
Os chips de memória da Samsung estão em todos os tipos de dispositivos, de produtos eletrônicos de alto consumo até processadores de computador, e seus modelos de última geração são utilizados para ampliar os centros de dados de inteligência artificial.
Em abril, a Samsung anunciou que seu lucro operacional no primeiro trimestre disparou quase 750% na comparação com o ano anterior, enquanto sua capitalização de mercado superou 1 trilhão de dólares pela primeira vez neste mês.
O impacto econômico de uma greve poderia ter sido significativo: a Samsung Electronics, maior fornecedora mundial de chips de memória, é responsável por 12,5% do PIB da Coreia do Sul, e este produto representa 35% das exportações do país.
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