O exército chinês treinou secretamente centenas de soldados russos em seu território, alguns dos quais foram posteriormente enviados para a Ucrânia, informou o jornal alemão Die Welt nesta terça-feira (20), citando documentos confidenciais da inteligência europeia. 

Essas revelações, que a AFP não conseguiu verificar de forma independente, surgem em meio a uma cúpula em Pequim entre o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping. 

O Serviço de Inteligência Externa Alemão (BND) não respondeu imediatamente a um pedido de comentários da AFP. 

Segundo o Die Welt, que não identificou os serviços de inteligência europeus responsáveis pelas revelações, centenas de soldados russos participaram de programas de treinamento do Exército de Libertação Popular em seis instalações militares na China no final de 2025. 

Esses programas abrangiam "o uso de sistemas não tripulados, contramedidas eletrônicas contra drones e simulações de combate modernas", acrescentou o jornal.

Os participantes eram de diversas patentes e gerações. Alguns eram membros da unidade de elite russa Rubicon, especializada em drones. 

Após concluírem o treinamento, dezenas deles participaram de operações de combate na Ucrânia no início de 2026, alguns em posições de comando, segundo o jornal Die Welt. 

Essa informação "está em consonância com os desenvolvimentos que temos observado nos últimos anos", disse Marc Henrichmann, presidente da comissão de supervisão dos serviços de inteligência do Bundestag, ao jornal Handelsblatt. 

Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, "temos visto uma cooperação cada vez mais estreita entre Moscou e Pequim, tanto na esfera militar quanto na econômica", acrescentou. 

Moscou também treinou secretamente cerca de 600 soldados chineses no ano passado, principalmente em áreas relacionadas a "tropas blindadas, artilharia, engenharia militar e defesa aérea", segundo o Die Welt. 

Moscou e Pequim também trocam informações sobre armamentos de fabricação ocidental usados na Ucrânia, particularmente os lançadores múltiplos de foguetes Himars e os sistemas de defesa aérea Patriot fornecidos pelos Estados Unidos, acrescenta o jornal.

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