O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou na terça-feira (19) o início de uma ofensiva contra a corrupção, após proclamar vitória em sua "guerra" contra as  violentas gangues do país, uma campanha que resultou em quase 91 mil detidos. 

Bukele implementa desde 27 de março de 2022 um regime de exceção sob o qual dezenas de milhares de pessoas foram detidas sem mandado judicial, o que, segundo organizações, provocou graves violações dos direitos humanos. 

"Nós decidimos, ou tivemos que, mais precisamente, enfrentar diretamente uma guerra aberta, basicamente. Eu sempre disse que vencemos graças a Deus", declarou o mandatário ao inaugurar a sede da Procuradoria-Geral, em Antiguo Cuscatlán, na periferia oeste de San Salvador. 

Ele reconheceu que o trabalho em "equipe" entre os diferentes órgãos do Estado foi fundamental "para que pudéssemos vencê-los".

Bukele afirmou que antes as gangues "eram o verdadeiro governo" e controlavam "mais ou menos 80% do território" do país. 

Depois de derrotar as gangues, agora "vem outra etapa: a lei e a ordem (...) que não haja corrupção".

"Há roubos, contrabando, sonegação fiscal, corrupção. Há fraudes, poluição ambiental, por parte de pessoas, por parte de empresas, e isso nós não erradicamos, e esse será o próximo passo", declarou.

A oposição critica a falta de transparência na prestação de contas e os obstáculos que impedem a divulgação de informações sobre os presos, devido ao fato de Bukele governar com um poder quase absoluto.

Vários países da América Latina querem replicar a política de segurança de Bukele, apesar das críticas de grupos de defesa dos direitos humanos que o atacam por se basear em um regime de exceção que permite a detenção de pessoas sem mandado judicial, com acusações de que são integrantes ou cúmplices das gangues.

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