A Venezuela pediu, nesta segunda-feira (18), que Trinidad e Tobago assuma sua "responsabilidade" por um vazamento de petróleo que chegou a águas territoriais venezuelanas, em meio às tensas relações entre os dois países.
O pequeno arquipélago anglófono reconheceu na semana passada um vazamento de petróleo procedente de um de seus campos petrolíferos, após denúncias da Venezuela de "graves impactos ambientais" em suas costas.
Os países, separados por apenas cerca de 10 quilômetros, compartilham interesses energéticos, mas sua cooperação foi afetada pela crise migratória venezuelana e pelo alinhamento de Trinidad e Tobago com os Estados Unidos em temas de segurança regional.
"Enviamos um relatório detalhado de todos os impactos, (...) das ações que implementamos em nível nacional ao governo de Trinidad e Tobago, de quem exigimos responsabilidade", disse o chanceler venezuelano, Yván Gil.
"Não podemos tolerar que um evento dessa natureza ocorra e não seja reportado", afirmou, em pronunciamento transmitido pela emissora estatal.
O vazamento foi registrado no início de maio em um campo petrolífero da estatal Heritage, dedicada à exploração e produção de petróleo, informou o Ministério da Energia trinitário.
Trinidad afirma que foi aplicado dispersante químico que "desintegrou eficazmente o hidrocarboneto" derramado.
A Venezuela, por sua vez, denunciou o silêncio do governo da primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar, aliada de Washington.
"Isto é extremamente grave, não apenas a ocorrência do próprio vazamento, mas a falta de informação", reclamou o chanceler Gil.
Segundo o diplomata, o derramamento já se encontra "alguns quilômetros" dentro de águas venezuelanas.
Caracas enviou "comunicações" a Porto Espanha "para avaliar o impacto e eventualmente exigir, como determinam os acordos internacionais, a indenização correspondente", segundo Gil.
Em 2024, uma mancha de petróleo provocada pelo naufrágio de um petroleiro em águas de Trinidad e Tobago também atingiu as águas territoriais venezuelanas.
Os vizinhos mantêm relações tensas desde a chegada ao poder, em 2025, da primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar.
Com um duro discurso antimigratório, a líder está alinhada com os Estados Unidos desde antes da queda e captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro.
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