O alpinista Mostafá Salameh partiu para escalar o Everest carregando os sonhos das crianças de Gaza, com o objetivo de dar visibilidade às consequências da guerra com Israel sobre os mais jovens.
Entre seus equipamentos de escalada rumo ao "teto do mundo", Salameh levou uma pipa nas cores da bandeira palestina, coberta de mensagens que expressam dor pelo luto e pelo exílio, mas também esperança de um futuro melhor.
Desde o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, mais de 72 mil palestinos morreram na campanha militar de represália conduzida pelo Exército israelense, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
Salameh, palestino-jordaniano de 56 anos, também espera arrecadar 10 milhões de dólares (R$ 50,7 milhões) para a Al-Khair Foundation, ONG sediada no Reino Unido que fornece alimentos, abrigos de emergência e apoio psicológico aos moradores de Gaza.
"Levamos todos esses sonhos das crianças de Gaza até o ponto mais alto do mundo, porque elas não podem fazer nada agora em Gaza", disse à AFP por videochamada.
"Elas não têm casa nem acesso à educação: tudo acontece dentro de uma tenda. Falta água potável, alimentos adequados e medicamentos", ressaltou o alpinista, que se reuniu com crianças na passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito.
- Esperança e dor -
Segundo a ONU, 1,7 milhão de habitantes de Gaza continuam vivendo em acampamentos. Desde o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, mais de 72 mil palestinos morreram na campanha militar israelense, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
Nascido no Kuwait, filho de pais palestinos, Salameh cresceu em um campo de refugiados e espera que sua expedição ajude a chamar atenção para o destino dessas crianças.
"O mundo inteiro fecha os olhos quando se trata da Palestina", lamenta.
As mensagens escritas na pipa misturam esperança e dor: algumas crianças sonham em se tornar médicas ou engenheiras para reconstruir suas casas; outras expressam a tristeza por terem perdido familiares.
Uma menina, Munira, pediu que ele escrevesse o número 47. "Perguntei o que significava o número 47. Ela respondeu que era o número de membros da família dela que haviam sido mortos", conta o alpinista.
- "Uma pequena mudança" -
Salameh tentou escalar o Everest pela primeira vez aos 35 anos, mas foi apenas na terceira tentativa, em 2008, que realizou o sonho.
Desde então, conquistou o Grand Slam do montanhismo, com os pontos mais altos dos sete continentes e os dois polos.
Suas expedições já arrecadaram fundos para a Síria, crianças cegas e pacientes com câncer. Ele havia prometido não voltar ao Everest, mas a guerra em Gaza o fez mudar de ideia.
"Sou jordaniano de origem, minha família é da Palestina, e me reconheço no que essas crianças vivem", afirma.
"Se pudermos provocar uma pequena mudança, ficarei feliz". Além da façanha, seu "sonho é ver a Palestina livre um dia e poder ir até lá visitá-la".
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