A polícia e o exército da Bolívia enfrentaram neste sábado manifestantes que bloqueiam estradas de acesso a La Paz e impedem o abastecimento de alimentos e medicamentos em protesto contra o governo, constatou a AFP. 

As forças tentaram dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo. Até o momento, não conseguiram reabrir todas as estradas. 

A operação, que mobiliza cerca de 3.500 agentes, segundo a imprensa local, começou às 2h (hora local) em La Paz, na vizinha El Alto e na rodovia La Paz-Oruro (sul). 

A polícia informou que prendeu até agora pelo menos 24 pessoas. 

Há duas semanas, operários, agricultores, professores, indígenas e transportadores exigem aumentos salariais, estabilização da economia, a não privatização de empresas e até mesmo a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz. 

A operação é "um esforço específico (...) para estabelecer um corredor humanitário diante de uma série de bloqueios que impedem o trânsito" de alimentos, oxigênio para os hospitais e medicamentos para La Paz, disse em entrevista coletiva José Luis Gálvez, porta-voz da Presidência. 

Ele apontou que, nos últimos dias, três pessoas morreram porque não puderam ser levadas a centros médicos. Durante o dia, "foi possível (...) liberar vários pontos bloqueados" e "outros foram retomados" pelos manifestantes, afirmou. 

Víctor Valderrama, chefe das Forças Armadas, assegurou à imprensa que durante a operação não foram usadas armas letais. 

Com quase todas as rotas de acesso fechadas na última semana, os preços dos alimentos perecíveis dispararam nos mercados de La Paz, sede dos poderes Executivo e Legislativo. 

A administradora estatal de rodovias informou neste sábado que há pelo menos 22 pontos bloqueados no país, a maioria no departamento de La Paz. 

O governo mantém uma "ponte aérea" desde domingo para levar carnes e verduras à cidade.

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