O governo da Bolívia alcançou um acordo, nesta sexta-feira (15), com milhares de mineiros que entraram em confronto com policiais na véspera, em um protesto que paralisou o centro de La Paz, informou o Ministério da Economia.
Na tarde de quinta-feira, manifestantes foram impedidos de se aproximar do Palácio de Governo e do Congresso por policiais, que utilizaram gás lacrimogêneo, enquanto os mineiros lançavam pedras e explosivos com estilingues, constatou a AFP.
Os trabalhadores exigiam a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, no poder desde novembro, por considerarem que ele não havia atendido suas reivindicações.
Eles pedem abastecimento de combustíveis, ampliação de áreas de mineração e o fornecimento de explosivos para trabalhar, entre outros pontos.
"Tivemos uma reunião muito longa, quase 12 horas conversando. Conseguimos chegar a vários acordos, que serão anunciados", disse nesta sexta-feira José Gabriel Espinoza, ministro da Economia, à imprensa, sem dar mais detalhes.
Durante os protestos, a polícia prendeu pelo menos seis manifestantes, que foram libertados horas depois, informou a emissora Unitel.
Desde o início de maio, diferentes setores pressionam o governo de Rodrigo Paz. Operários, camponeses, professores, indígenas e transportadores ocupam as ruas e rodovias com reivindicações que vão desde aumentos salariais a não privatização de empresas públicas.
Nesta sexta-feira, são registrados pelo menos 26 pontos de bloqueio nas estradas do país, a maioria nos acessos a La Paz, segundo a estatal Administradora Boliviana de Estradas, o que impede o abastecimento de alimentos na cidade.
A Bolívia atravessa uma dura crise econômica, derivada da escassez de dólares. A inflação acumulada em 12 meses em abril foi de 14%.
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