Uma missão científica argentina viajará na próxima semana para a cidade de Ushuaia para investigar se há roedores portadores de hantavírus, que poderiam ter originado o surto no navio Hondius, que partiu desse porto do "fim do mundo", na Terra do Fogo.
Depois que o cruzeiro MV Hondius partiu em 1º de abril rumo a Cabo Verde, foi declarado um foco dessa rara doença que despertou alarme em todo o mundo, com três casos fatais e infectados de vários países.
As autoridades da Terra do Fogo reiteram desde então que não há registros de hantavírus nessa ilha patagônica, nem do roedor que o transmite.
No entanto, os cientistas buscarão descartar ou confirmar a suspeita infecciosa que pesa sobre esse emblemático destino turístico.
Biólogos do Instituto Carlos Malbrán, de Buenos Aires, trabalharão em campo junto a especialistas da província da Terra do Fogo para a coleta de amostras e seu posterior envio ao laboratório, tarefa que exigirá vários dias.
A partir daí, estima-se que os resultados estarão prontos em "cerca de quatro semanas", explicou em coletiva de imprensa o diretor de Epidemiologia da Terra do Fogo, Juan Petrina.
Ainda não foi determinado o momento nem o local do primeiro contágio dos passageiros do navio.
"A situação epidemiológica da região não mudou muito, não tivemos casos e já se passaram 45 dias desde que a embarcação zarpou", disse Petrina.
Na região austral da Argentina e do Chile, o roedor reservatório do vírus da cepa Andes é o rato "colilargo" (Oligoryzomys longicaudatus).
Essa cepa foi identificada como a responsável pelas infecções no cruzeiro.
- "Bola de neve" -
Petrina especificou que as zonas de captura ainda não estão definidas, mas incluirão áreas próximas ao aterro sanitário, um local de reciclagem de resíduos a céu aberto.
O lugar, com grande presença de aves, havia sido identificado como um dos locais provavelmente visitados pelo passageiro holandês morto por hantavírus.
O homem é apontado como paciente zero do surto no navio.
O ornitólogo de 70 anos e sua esposa, também falecida por hantavírus, percorreram Argentina, Uruguai e Chile durante quatro meses e — segundo versões da imprensa não confirmadas — poderiam ter observado aves perto do lixão antes de embarcar.
Petrina descartou que sejam feitas buscas pelo rato dentro do terreno do aterro sanitário. "Não faz sentido porque os roedores ali são urbanos e não são suscetíveis ao hantavírus", disse.
Mas as buscas serão realizadas em áreas próximas ao local, que ainda "restam ser definidas".
"Não queremos que isso continue escalando", disse, por sua vez, o secretário do Instituto Fueguino de Turismo, Juan Manuel Pavlov.
"Tudo o que podemos afirmar é que o destino Terra do Fogo, no fim do mundo, está livre de hantavírus", insistiu.
Ele também criticou a cobertura da notícia pelos meios de comunicação que, segundo afirmou, têm voracidade "por somar cliques com títulos enganosos e sensacionalismo que busca gerar uma bola de neve".
Em nível mundial, três pessoas morreram e oito tiveram confirmação da doença rara.
"Até 13 de maio foram notificados 11 casos, incluindo três mortes", informou a Organização Mundial da Saúde em um boletim publicado na noite de quarta-feira.
Desses 11 casos, "oito foram confirmados em laboratório como infecção pelo vírus Andes (ANDV), dois são considerados prováveis e um é inconclusivo e está sendo submetido a análises complementares", detalhou.
Enquanto isso, um passageiro americano que viajava a bordo do MV Hondius e que inicialmente apresentou um resultado "levemente positivo" para hantavírus agora testou negativo, informou nesta quinta-feira um porta-voz do centro médico da Universidade de Nebraska à AFP.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
sa-lm/vel/am