O número de pessoas deslocadas na Colômbia dobrou em 2025 em relação ao ano anterior, em um contexto de recrudescimento da violência no país a poucas semanas das eleições presidenciais, segundo o relatório anual do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
Após a extinta guerrilha das Farc assinar o acordo de paz em 2016, diferentes grupos armados disputam até a morte as lucrativas rendas do tráfico de drogas, da mineração ilegal e da extorsão.
Olivier Dubois, chefe da delegação do CICV em Bogotá, referiu-se à situação humanitária no país como um "drama" que "os números não conseguem descrever", às vésperas das eleições presidenciais de 31 de maio, nas quais a segurança é um tema central.
Pelo menos 322.688 pessoas foram deslocadas em 2025 enquanto "os confrontos armados se intensificaram" em "áreas povoadas ou perto de residências" civis, segundo o documento publicado na terça-feira.
O departamento mais afetado foi Norte de Santander (nordeste), na fronteira com a Venezuela, onde os confrontos no início daquele ano entre a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) e os dissidentes das extintas Farc obrigaram milhares de pessoas a fugir de suas casas.
O relatório também indica um grande aumento do confinamento de pessoas, uma prática comum dos grupos armados que proíbem a mobilidade de comunidades inteiras.
Também aumentou em 34% o número de mortos e feridos por ataques com artefatos explosivos, como drones, usados habitualmente por guerrilheiros contra a força pública e civis.
O jornalista Mateo Pérez, de 25 anos, foi assassinado na semana passada enquanto fazia uma reportagem sobre a violência em uma zona rural do departamento de Antioquia (noroeste), crime que o presidente de esquerda Gustavo Petro atribui a dissidentes guerrilheiros que rejeitaram o acordo de paz.
A Cruz Vermelha afirmou que a população civil foi vítima de "homicídios, desaparecimentos, ameaças, recrutamento, uso e utilização de menores de idade, violência sexual" em áreas com presença de grupos armados.
Em 2025, o CICV registrou 845 supostas violações ao direito internacional humanitário.
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