O número de presos na Rússia diminuiu em mais de 180 mil pessoas em cinco anos, em parte porque Moscou envia condenados para combater na Ucrânia, afirmou nesta quinta-feira (14) o chefe do sistema penitenciário russo. 

Ao longo de quatro anos de guerra, a Rússia ofereceu aos presos contratos com o Exército para lutar na Ucrânia e reduzir suas penas, desde que sobrevivam. 

A Rússia — que conta com uma enorme rede penitenciária herdada dos campos de trabalho soviéticos — tem uma das maiores populações carcerárias do mundo, embora esse número venha diminuindo nas últimas duas décadas. 

"Se no fim de 2021 havia 465 mil (presos), agora há 282 mil", declarou o diretor do serviço penitenciário russo, Arkadi Gostev, segundo a agência estatal TASS. Isso representa uma queda de quase 40%. Cerca de 85 mil dos detentos atuais estão em prisão preventiva, acrescentou. 

Gostev afirmou que a queda se deve em parte ao recrutamento pelo Exército, mas também ao aumento da aplicação de penas suspensas e outras formas de punição. 

Os presos que retornam da linha de frente na Ucrânia provocaram um aumento da criminalidade e de tensões sociais na Rússia. 

Gostev também afirmou que milhares de detentos trabalham em instalações de produção em apoio ao Exército, contribuindo para a economia em tempos de guerra. 

Os presos russos são frequentemente obrigados a trabalhar em um sistema herdado do Gulag soviético. 

"Ao longo do ano, destinamos 16 mil internos adicionais para esses fins (militares), especificamente para a fabricação", informou Gostev, segundo a TASS. 

A Rússia sofre com a escassez de mão de obra durante a ofensiva, com centenas de milhares de homens na linha de frente e um número semelhante que deixou o país após a mobilização.

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