Um órgão de fiscalização da polícia britânica informou, nesta quinta-feira (7), que abriu uma investigação contra um agente na ativa e quatro ex-membros da corporação, suspeitos de ignorarem denúncias de agressões sexuais contra o ex-proprietário da Harrods, Mohamed Al Fayed, quando ainda estava vivo. 

Após um documentário da BBC sobre o caso, em setembro de 2024, a polícia de Londres reconheceu ter recebido, antes da morte do bilionário egípcio em 2023, 21 depoimentos de mulheres contra o magnata, sem que ele jamais fosse processado. 

O IOPC, órgão de fiscalização da polícia, explicou que sua investigação se concentra em como os agentes responderam às queixas apresentadas por quatro vítimas.

"Nesta fase, cinco pessoas — um membro em serviço da Polícia Metropolitana [de Londres] e quatro ex-agentes — foram informadas de que existe uma investigação contra elas por suposta má conduta", afirmou o órgão independente. 

A investigação determinará se esses policiais devem ou deveriam ter enfrentado um procedimento disciplinar, acrescentou a IOPC. 

A polícia londrina indicou que está colaborando com a investigação e que "não significa necessariamente que serão iniciados procedimentos disciplinares por má conduta". 

A polícia interrogou este ano quatro pessoas — três mulheres e um homem — suspeitas de participação no caso Al Fayed, e informou que 154 vítimas se apresentaram às autoridades desde a exibição do documentário da BBC. 

Entrevistada por essa emissora, Justine, uma ex-funcionária da Harrods e membro do coletivo de vítimas, contou que falou com a polícia em 2018, mas "depois nada aconteceu". 

"Era uma das últimas oportunidades reais de obter justiça enquanto ele ainda estava vivo, e foi perdida", lamentou. 

A Justiça francesa também investiga desde o ano passado um suposto esquema de tráfico de mulheres organizado por Al Fayed, que também era proprietário do hotel Ritz, em Paris.

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