A aglomeração a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius provavelmente favoreceu a propagação do hantavírus entre as pessoas, um "modo de transmissão marginal" desta doença, causada pela exposição a roedores infectados, declarou à AFP o infectologista Vincent Ronin.
PERGUNTA: Foram registrados casos de transmissão de hantavírus entre pessoas no passado?
RESPOSTA: O modo de transmissão principal é por contato com excrementos de roedores selvagens que contaminaram espaços fechados (porões, galpões...) durante obras ou uma limpeza onde partículas são inaladas.
Mas, de forma excepcional, foram identificados alguns casos de transmissão inter-humana com a cepa "Andes", específica da América do Sul, identificada no navio.
Foi em situações muito singulares de doentes em contato muito próximo e repetido com os cuidadores no hospital, enquanto estavam muito contagiosos.
P: Como ocorre este tipo de transmissão?
R: Embora esta doença tenha se espalhado por todos os continentes, é relativamente rara (...) Em escala mundial, só temos algumas dezenas de milhares de casos.
Portanto, não temos necessariamente dados científicos tão completos como para a gripe ou a covid.
A transmissão entre pessoas passa pelas vias aéreas, mas requer condições muito particulares de proximidade, aglomeração ou um terreno de fragilidade da pessoa exposta, para além do que conhecemos para outros vírus respiratórios.
P: Como os passageiros do navio podem ter se contaminado?
R: As investigações ainda não foram concluídas, talvez tenha havido uma fonte de transmissão comum dentro do navio, devido a roedores.
Mas em um lugar confinado, nas condições particulares de um navio, onde não se pode ventilar, onde há corredores estreitos e com passageiros idosos, mais vulneráveis (...) Tudo isto pode criar as condições bastante excepcionais vistas no passado, favorecendo uma transmissão inter-humana.
P: Há tratamentos?
R: Atualmente não existe nem tratamento específico, nem vacina. Alguns testes podem ter sido feitos em certas cepas do vírus, mas sua eficácia ainda não foi comprovada em todos os hantavírus.
Então, estamos, ao contrário, em um tratamento dos sintomas: acompanhamos os doentes com cuidados quando seu estado de saúde piora para favorecer a cura.
P: O que se sabe sobre o período de incubação e a letalidade do hantavírus?
R: O período de incubação dura de uma a seis semanas. É preciso se assegurar que não apareça nenhum sintoma durante este período.
A letalidade é relativamente importante para uma doença infecciosa, entre 10% e 50%, segundo as espécies virais, mas também depende muito da qualidade da atenção e do sistema de saúde.
P: No que consiste a atenção dos passageiros do navio?
R: A situação é coordenada pela Organização Mundial da Saúde, especialmente porque envolve cidadãos de diferentes nacionalidades.
Há dois desafios: o primeiro é evacuar os doentes do navio para que possam ser atendidos sem demora no hospital. Paralelamente, é preciso fazer uma investigação epidemiológica metódica e garantir uma vigilância e um diagnóstico precoce de qualquer sintoma a partir dos casos de contato.
Depois de um período de isolamento, os passageiros sem sintomas poderão voltar para seus lares em condições de segurança ótimas.
P: Pode ocorrer uma epidemia de hantavírus?
R: Parece que alguns passageiros foram expostos a este vírus antes de embarcar no território argentino.
No entanto, a Argentina não informa sobre nenhuma situação anormal de transmissão de vírus ou epidemia desde a saída do navio. O que está acontecendo provavelmente está relacionado com as condições particulares de confinamento em um cruzeiro.
Portanto, se trataria de um modo de transmissão marginal.
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