A agência de classificação financeira Fitch Ratings anunciou nesta terça-feira (5) que elevou em um nível a nota da dívida soberana da Argentina, que passou de CCC+ para B-, ao reconhecer "balanços externos e fiscais estruturalmente melhorados" e "avanços nas reformas econômicas".

A agência acompanhou sua decisão com uma perspectiva "estável", o que significa que não prevê modificar a classificação nos próximos seis meses.

"O presidente Javier Milei saiu das eleições de meio de mandato de outubro de 2025 com um mandato popular reforçado e uma base de apoio no Congresso para levar adiante sua agenda de reformas", detalhou a Fitch.

A agência menciona em particular "importantes vitórias legislativas, entre elas a reforma do mercado de trabalho, a reforma da Lei das Geleiras (...) e um orçamento que preserva uma âncora fiscal reforçada".

A Lei das Geleiras regulava desde 2010 a atividade econômica, especialmente a mineração, em zonas glaciais e periglaciais.

O novo texto oferece maior margem aos governos locais para definir as zonas "estratégicas" ou "pertinentes" protegidas e, com base nisso, autorizar ou não a atividade mineradora.

A lei, publicada no final de abril, foi suspensa por um juiz federal na província patagônica de Santa Cruz (sul), à espera de uma decisão sobre o mérito de um recurso apresentado.

A lei de reforma do mercado de trabalho, que enfrenta oposição dos sindicatos, deve permitir flexibilizar o mercado e estimular o emprego, segundo o governo.

A Argentina tem 43% dos trabalhadores na economia informal.

A Fitch também destacou o fortalecimento da posição externa da Argentina, que conseguiu melhorar suas reservas de divisas, e espera uma redução do déficit em conta corrente para 1% do PIB neste ano.

A Argentina obteve, em meados de abril, durante as reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, uma série de promessas de apoio por parte de instituições financeiras internacionais.

O BM anunciou que trabalha em uma garantia que pode chegar a até 2 bilhões de dólares (R$ 9,8 bilhões) para ajudar no refinanciamento da dívida argentina, enquanto o Banco Interamericano de Desenvolvimento acrescentou outros 500 milhões de dólares (R$ 2,46 bilhões).

O FMI, por sua vez, aprovou um novo desembolso de 1 bilhão de dólares (R$ 4,92 bilhões) no âmbito do programa em curso de 20 bilhões de dólares (R$ 98,4 bilhões).

O Fundo revisou para baixo sua previsão de crescimento (de 4% para 3,5%) para a Argentina e dobrou sua projeção de inflação (de 16,4% para 30,4%) para 2026.

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