A Austrália iniciou, nesta segunda-feira (4), audiências públicas sobre o ataque antissemita que matou 15 pessoas em dezembro do ano passado durante uma celebração judaica na praia de Bondi, em Sydney.

Sob pressão após o ataque mais letal em solo australiano em três décadas, o governo acabou aceitando convocar uma comissão real federal, a instância de investigação mais alta possível e a primeira desse tipo desde 2022.

A comissão deverá examinar os fatores que levaram à tragédia de 14 de dezembro, quando um pai e seu filho abriram fogo durante cerca de dez minutos contra uma multidão reunida na praia mais conhecida da Austrália para celebrar a festividade judaica de Hanukkah, deixando 15 mortos.

O pai, Sajid Akram, foi morto pela polícia, enquanto seu filho Naveed, de 24 anos, está detido e responde por crimes de terrorismo.

As audiências públicas da comissão de investigação, cujas conclusões são esperadas para dezembro, começaram em Sydney com depoimentos sobre antissemitismo.

"O forte aumento do antissemitismo que vimos na Austrália se refletiu em outros países ocidentais e parece claramente ligado aos acontecimentos no Oriente Médio", declarou a investigadora Virginia Bell na abertura das audiências.

"É importante que as pessoas entendam com que rapidez esses acontecimentos podem dar lugar a demonstrações desagradáveis de hostilidade contra australianos judeus, simplesmente por serem judeus", advertiu.

Sheina Gutnick, cujo pai, Reuven Morrison, morreu no ataque em Bondi, declarou aos investigadores que constatou uma alta do antissemitismo desde 2023, com o início da guerra em Gaza.

"O antissemitismo se tornou explícito", afirmou.

Uma mulher judia que cresceu perto de Bondi - e cujos avós eram sobreviventes do Holocausto - declarou à comissão que se sentia "incrivelmente decepcionada porque a polícia não interveio antes de as coisas ficarem tão ruins quanto ficaram", disse.

Após duas semanas dedicadas ao antissemitismo, a comissão realizará outras séries de audiências sobre temas como segurança.

Depois do ataque, o Parlamento endureceu em janeiro sua legislação sobre crimes motivados por ódio e armas de fogo.

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