A França recebe nesta segunda-feira (4) uma conferência internacional para reduzir as emissões de metano, gás de efeito estufa que acelera a mudança climática e segue em níveis "muito altos", segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
Com a presença de ministros, representantes do setor econômico e cientistas, a conferência, realizada no âmbito da presidência francesa do G7, deverá permitir "acelerar a implementação de soluções eficazes para reduzir as emissões de metano", disse a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, no discurso de abertura.
"É claro que a ação sobre o metano não é a luta de um único ator e ninguém pode vencer sozinho", acrescentou a ministra, ressaltando que a tarefa envolve um "grande número de atores públicos e privados, governos, empresas, investidores e cientistas".
O metano, gás inodoro e invisível, é o principal componente do gás natural emitido, entre outros, por gasodutos, vacas e aterros sanitários.
Todos os anos, quase 580 milhões de toneladas são liberadas no mundo, das quais 60% são atribuídas à atividade humana, com a agricultura na liderança, seguida pela energia, setor que concentra a atenção nessa batalha climática.
O metano, com capacidade de aquecimento muito superior à do CO2, é responsável por cerca de 30% do aumento da temperatura global desde a Revolução Industrial.
No entanto, por ter um ciclo de vida mais curto, sua redução oferece "benefícios climáticos significativos no curto prazo", destaca a AIE em seu relatório anual Global Methane Tracker, publicado nesta segunda-feira.
Nos últimos anos, países e empresas anunciaram compromissos para reduzir o metano que cobrem "atualmente mais da metade da produção mundial de petróleo e gás".
Ainda assim, as emissões ligadas aos combustíveis fósseis - petróleo, carvão e gás - permaneceram em "níveis muito elevados" em 2025, o que reflete "um importante descompasso na implementação", adverte a AIE.
- Segurança energética -
Em 2025, a produção recorde de combustíveis fósseis - petróleo, carvão e gás - foi responsável por 35% das emissões de metano de origem humana, total estimado em 124 milhões de toneladas, o que representa leve alta em relação a 2024, quando foram 121 milhões de toneladas, segundo o relatório.
Na indústria de petróleo e gás, o metano escapa por vazamentos em válvulas ou gasodutos, ou durante operações de desgaseificação direta na atmosfera ou de queima ineficiente em flare nas instalações.
Existem soluções, como detecção e reparo de vazamentos ou limitação da queima em flare, que permitiriam evitar 30% das emissões provenientes de atividades ligadas aos combustíveis fósseis "a custo zero", já que o gás capturado poderia ser revendido.
Segundo Laurent Fabius, presidente da COP21 em 2015, que culminou no Acordo de Paris, no contexto das tensões nos mercados de energia provocadas pela guerra no Oriente Médio, o metano "não é apenas um problema climático, é um evidente desafio de segurança energética".
Quase 70% das emissões de metano do setor fóssil procedem dos 10 países que mais poluem, com a China na liderança, seguida por Estados Unidos e Rússia.
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