O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou, neste sábado (2), que a detenção do ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek, interceptado por Israel quando seguia na flotilha para a Faixa de Gaza, é "ilegal" e que ele deve ser libertado "imediatamente".

"Estamos diante de uma detenção ilegal em águas internacionais, fora de qualquer jurisdição das autoridades israelenses e, portanto, Saif Abu Keshek tem que ser posto em liberdade imediatamente para poder voltar à Espanha", afirmou Albares à rádio catalã Rac1.

"Estou preocupado porque temos um cidadão espanhol detido ilegalmente e que foi capturado em águas internacionais, fora de qualquer jurisdição, pelas autoridades de outro Estado", insistiu Albares.

Saif Abu Keshek e o ativista brasileiro Thiago Ávila, interceptados na quinta-feira quando seguiam com a flotilha Global Sumud para tentar romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza, estão em Israel para serem interrogados, informou a chancelaria israelense neste sábado.

Brasil e Espanha haviam protestado na sexta-feira depois que se soube que os dois ativistas seriam enviados a Israel, que aponta vínculos deles com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA, na sigla em inglês), uma associação acusada pelos Estados Unidos e por Israel de trabalhar em nome do Hamas.

Albares afirmou que, segundo as informações de que o governo da Espanha dispõe, "não se pode estabelecer nenhuma relação entre Saif Abu Keshek e Hamas".

"É um episódio que tensiona ainda mais nossa relação" com Israel "pelo caráter inaceitável desta situação", acrescentou.

O governo espanhol do socialista Pedro Sánchez, uma das vozes europeias mais críticas à administração de Benjamin Netanyahu desde que Israel lançou sua ofensiva contra Gaza em resposta ao ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, expressou na quinta-feira sua "mais enérgica condenação" à captura da flotilha.

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