O Senado rejeitou nesta quarta-feira (29) Jorge Messias, candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma votação histórica que representa uma derrota para o petista a poucos meses das eleições presidenciais.
A indicação de Messias foi alvo de um embate entre o governo e a maioria conservadora do Senado, que rejeitou o advogado de 46 anos em votação secreta.
O Plenário do Senado registrou 42 votos contra Messias e 34 a favor. Trata-se do primeiro indicado ao STF rejeitado pelo Senado em mais de 100 anos, segundo a imprensa.
Aliado próximo de Lula e atual advogado-geral da União, Messias tentou convencer os senadores ao se apresentar como um cristão evangélico moderado.
Mas sua candidatura acabou se tornando, na prática, um referendo sobre o governo e sobre a atuação do Supremo, que condenou em 2025 o ex-presidente Jair Bolsonaro, líder da oposição conservadora, por tentativa de golpe de Estado.
"Quanto mais o tempo passa, mais se percebe, na minha avaliação, a farsa que houve nesse julgamento [de Jair Bolsonaro]", afirmou o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), filho mais velho do ex-presidente, durante uma audiência com Messias.
Houve um "cerceamento de defesa nunca antes visto na história deste país", acrescentou o senador e pré-candidato às eleições presidenciais de outubro.
- "Derrotar Lula" -
O STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentar se manter no poder após perder as eleições presidenciais de 2022, em um julgamento que provocou represálias contra o Brasil por parte dos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro e outros senadores também enfatizaram a necessidade de reformas profundas no Supremo, questionado por supostos vínculos entre alguns de seus ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master e acusado de fraude bilionária.
"Não se trata de derrotar o Presidente Lula nesta votação. Quem quiser derrotá-lo, enfrentá-lo, vai poder fazê-lo em outubro, na urna", pediu a seus colegas o senador Weverton Rocha (PDT/MA), em uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) anterior à votação no Plenário.
Lula pretende buscar um quarto mandato nas eleições de outubro, e as pesquisas o colocam em empate técnico com Flávio Bolsonaro.
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