Três relatores especiais da ONU instaram nesta quarta-feira (29) a Arábia Saudita, organizadora da Copa do Mundo de 2034, a desativar o sistema de "kafala", que limita os direitos dos trabalhadores migrantes.
"À medida que 2034 se aproxima e a atenção internacional aumenta, garantir a proteção, a dignidade e os direitos dos trabalhadores migrantes é essencial - não apenas para o sucesso da Copa do Mundo, mas também para a credibilidade do projeto de desenvolvimento mais amplo impulsionado pela Arábia Saudita", declararam esses especialistas em um comunicado.
Os relatores, que têm mandato do Conselho de Direitos Humanos, mas não falam em nome da ONU, destacam que, apesar da reforma da legislação trabalhista empreendida em 2021 pela Arábia Saudita, continuam recebendo informações "sobre abusos e exploração dos cerca de 16 milhões de trabalhadores migrantes que há no país", alguns dos quais teriam morrido "em circunstâncias obscuras e sem que ninguém tenha sido responsabilizado".
Riade rejeita essas acusações.
Esses especialistas denunciam que a "kafala", muito difundida nos países do Oriente Médio, concede aos empregadores controle total sobre a situação jurídica, o direito de residência e os deslocamentos dos trabalhadores migrantes, deixando-os em uma espécie de "escravidão moderna".
O Catar já foi muito criticado pelo mesmo motivo antes de organizar a Copa do Mundo de 2022, até realizar reformas.
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