Uma juíza federal de Nova Jersey condenou, nesta terça-feira (28), o laboratório americano Purdue Pharma, considerado responsável pela origem da crise dos opioides nos Estados Unidos, antes que entre em efeito seu plano de falência.

O laboratório e a família Sackler, sua proprietária, foram acusados de promover um analgésico, OxyContin, escondendo seu alto potencial de gerar dependência química e pagando comissões a médicos, o que lhes rendeu bilhões de dólares em lucros.

A empresa deverá pagar mais de 8 bilhões de dólares (cerca de R$ 40 bilhões) por este caso, em virtude do plano de falência.

A Purdue Pharma deverá ser dissolvida em 1º de maio e uma nova companhia independente, chamada Knoa Pharma, assumirá seus ativos e expertise com a missão de se ocupar da "crise dos opioides".

Durante mais de seis horas nesta terça, a juíza ouviu depoimentos de dezenas de vítimas e suas famílias, antes de instar o presidente do Conselho de Administração da Purdue Pharma, Steve Miller, a se desculpar.

A magistrada também pediu perdão em nome do governo americano, que "falhou" em proteger a população de práticas "motivadas pela ganância" da Purdue Pharma, cuja "estratégia era comparável à de uma empresa criminosa".

Várias vítimas pediram que o acordo fosse rejeitado — exigindo especificamente acusações criminais contra a família Sackler ou uma indenização maior —, mas a juíza o considerou o "melhor caminho possível" à sua disposição.

Por último, exortou os advogados encarregados da falência a cumprirem com a indenização.

Segundo dados dos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), quase 727 mil pessoas morreram no país entre 1999 e 2022 por causa de overdoses relacionadas com opioides, sejam prescritos ou consumidos ilegalmente.

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