A Polícia Federal afirmou nesta terça-feira (28) que devolveu as credenciais de um oficial de ligação dos Estados Unidos, após retirá-las na semana passada em reciprocidade por uma medida similar tomada por Washington.
Os governos dos dois países mantêm uma relação difícil, em grande medida devido à condenação a 27 anos de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) por tentativa de golpe de Estado. Seu aliado, o presidente americano Donald Trump, classificou o processo judicial de "caça às bruxas".
O atrito mais recente ocorreu na semana passada, quando Washington solicitou que um delegado da PF deixasse os Estados Unidos por ter tentado "manipular" o seu sistema de imigração e "estender perseguições políticas ao território" americano.
O pedido chegou pouco depois da breve detenção nos Estados Unidos do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que ocupou o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e é considerado foragido pela Justiça brasileira por sua participação na trama golpista do ex-presidente. Ele foi liberado após passar dois dias detido.
Em "reciprocidade" pela medida tomada contra o delegado da PF, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retirou as credenciais de um oficial de ligação dos Estados Unidos no Brasil.
"A Polícia Federal devolveu as credenciais de acesso ao agente americano", disse nesta terça-feira à AFP uma fonte da instituição.
O Itamaraty, por sua vez, não respondeu de imediato a um pedido da AFP para saber os motivos dessa decisão.
Os aliados de Ramagem atribuíram sua rápida liberação ao presidente americano, que chegou a impor tarifas punitivas ao Brasil em represália pelo julgamento de Bolsonaro. Após uma distensão entre Lula e Trump, Washington suspendeu parcialmente os encargos.
Lula tentará se reeleger em outubro e terá como adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho mais velho do ex-presidente.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
jss/cjc/rpr