Menos de 30% dos poços de petróleo na Venezuela estão ativos, informou a Cámara Petrolera Venezolana (CVP) durante um fórum realizado nesta segunda-feira (27), com a presença de representantes do governo dos Estados Unidos, que busca recuperar a produção petrolífera após a queda do presidente Nicolás Maduro.
Com uma produção em torno de 1 milhão de barris por dia — muito abaixo dos cerca de 3 milhões alcançados há duas décadas —, o país tem menos de 30% de seus 30.722 poços em operação, segundo dados da CVP.
Anos de corrupção, falta de investimentos e má gestão, agravados pelas sanções dos Estados Unidos, levaram a um colapso histórico da produção no país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
"Há uma grande quantidade de poços aguardando manutenção", disse Enrique Novoa, presidente da CVP, no fórum Venezuela Energética 2026, em Caracas.
A Venezuela conta atualmente com 8.491 poços ativos.
"O setor empresarial está muito comprometido em levá-los ao seu nível máximo", afirmou, acrescentando que avançam processos de empresas mistas com multinacionais como Chevron e Repsol, "porque o equipamento dos poços é fundamental para aumentar a produção".
Segundo o vice-presidente executivo da estatal PDVSA, Jovanny Martínez, mais de 3.464 poços já foram reativados.
A estimativa do setor para este ano, com os primeiros acordos e após a concessão de licenças, é atingir uma produção de 1,3 milhão de barris por dia — número considerado plausível por projeções recentes do setor energético.
No entanto, ainda há obstáculos, como o fornecimento de eletricidade e a necessidade de grandes investimentos.
Novoa reiterou nesta segunda-feira seu pedido para que todas as sanções ao país sejam suspensas, após a participação do encarregado de negócios dos Estados Unidos, John Barrett, no evento.
"Os venezuelanos devem apostar que o regime de sanções desapareça completamente. Acreditamos que isso é, antes de tudo, o que o povo venezuelano merece como sociedade", afirmou Novoa.
Por sua vez, Barrett destacou que a iniciativa privada — especialmente as empresas americanas — será "o motor da transformação da Venezuela em um centro energético mundial".
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, flexibilizou sanções sobre a indústria petrolífera venezuelana e concedeu licenças para operar no país após a captura de Maduro por forças militares americanas no início de janeiro. O ex-mandatário está preso em Nova York, acusado de narcotráfico.
Mesmo assim, o setor petrolífero considera que essas medidas ainda são insuficientes para impulsionar plenamente a produção.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que governa sob forte pressão de Washington, tem promovido reformas nas leis de hidrocarbonetos e mineração para abrir o setor a investidores privados, tanto nacionais quanto estrangeiros.
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