Em um recente casamento de milionários na Índia, em que Jennifer Lopez se apresentou, a estrela americana viu o verdadeiro protagonista do espetáculo ser... um majestoso bolo.

A réplica em açúcar - e outros ingredientes adicionais - do Taj Mahal, com quase 3 metros de altura e assinada pelo confeiteiro francês Bastien Blanc-Tailleur, roubou a cena e virou assunto na imprensa no dia seguinte.

Os bolos de Blanc-Tailleur são para a confeitaria o que a alta-costura é para a moda: peças incríveis, únicas, feitas à mão, que exigem enorme investimento de tempo e dinheiro.

"Raramente trabalhamos em um casamento com orçamento inferior a 1 milhão de euros" (R$ 5,83 milhões), explica o chef de 34 anos à AFP, em seu ateliê perto de Paris, cercado por cinco de suas últimas criações.

Segundo a imprensa, o casamento do ano na Índia, entre a herdeira milionária Netra Mantena e o magnata da tecnologia Vamsi Gadiraju, teria custado 6,7 milhões de dólares (R$ 33,3 milhões), dos quais J. Lo teria recebido 2 milhões de dólares (R$ 9,94 milhões) por sua apresentação.

- 25 bolos em um ano -

Blanc-Tailleur se recusa a revelar o preço exato de suas criações e se limita a dizer que as tarifas começam em 20 mil euros (R$ 116,6 mil) para as peças mais modestas.

A encomenda indiana incluía vários bolos: a peça principal para o casal, criações adornadas com orquídeas e outras em forma de elefantes, vários bolos descendo do teto do local... No total, foram necessárias cerca de 3.500 horas de trabalho.

"Chegamos ao limite da nossa capacidade. É um dos projetos dos quais mais me orgulho", confessa o confeiteiro.

Em 2024, Blanc-Tailleur foi nomeado confeiteiro mais criativo do mundo pela La Liste, classificação gastronômica internacional criada em 2015 que reúne críticas de múltiplos guias.

Em sua profissão, já não se fala em confeiteiro, mas em "designer de bolos".

Famílias reais do Oriente Médio, grandes fortunas americanas e aristocratas europeus disputam uma de suas seletas criações: com uma equipe de apenas dez pessoas, ele não consegue produzir mais do que cerca de 20 a 25 bolos por ano.

Embora as tensões após o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro tenham afetado suas encomendas, Blanc-Tailleur não teme imprevistos.

No casamento na Índia, lembra que enfrentou problemas logísticos com ovos e manteiga, que chegaram até a colocar em risco a execução do bolo.

Em outra ocasião, foi um agente alfandegário saudita que abriu as caixas que ele transportava, mas não as fechou corretamente de novo... e a peça ficou danificada.

- Sem limites -

Blanc-Tailleur se formou desde os 15 anos em grandes casas parisienses como o Pavillon Ledoyen e o Four Seasons George V, especialmente ao lado do chef Yannick Alléno - que soma 18 estrelas Michelin -, que lhe transmitiu uma visão particular da profissão.

"Ele dizia que, quando estamos pensando em um projeto, não devemos pensar em como ele vai ser feito. Senão, a gente impõe limites à criação", recorda.

Seu processo criativo passa pelo lápis e pelo papel. O confeiteiro critica a inteligência artificial e seus resultados excessivamente realistas, que arruínam a magia.

Esse colecionador compulsivo - de borboletas, moluscos, pedras e esculturas compradas em feiras de antiguidades - calcula que tem entre 2 mil e 3 mil moldes diferentes para fazer protótipos e os modelos definitivos com os quais reproduzirá as decorações de açúcar.

"As flores são a parte que leva mais tempo", explica, citando rosas, orquídeas e até hortênsias esculpidas à mão, ajustadas ao gosto dos noivos.

Com tanto trabalho e tantas viagens, Blanc-Tailleur tem pouco tempo para si. "Estou noivo há quatro anos", diz, embora ainda não tenha data para o próprio casamento.

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