O presidente francês, Emmanuel Macron, não poderá se candidatar à reeleição em 2027 após dois mandatos consecutivos. No entanto, embora tenha anunciado na quinta-feira que se afastará da política, nem especialistas nem membros de sua aliança descartam seu retorno em 2032. 

Em 2017, aos 39 anos, Macron se tornou o presidente mais jovem da história da França, liderando uma coalizão de centro, e nada o impediria de se candidatar novamente em 2032, quando terá 54 anos. 

Enquanto os candidatos à sua sucessão começam a se mobilizar um ano antes da eleição presidencial, Macron confirmou sua iminente saída da arena política na quinta-feira, durante uma conversa com estudantes no Chipre. 

"Eu não fiz política antes e não farei depois", afirmou o ex-banqueiro, que entrou para a vida pública sob o governo de seu antecessor, o socialista François Hollande, atuando como ministro da Economia antes de romper com ele.

Há semanas, o chefe de Estado tem se esforçado para defender seu legado, enquanto aqueles que aspiram a sucedê-lo, como seus ex-primeiros-ministros Édouard Philippe e Gabriel Attal, buscam se distanciar de sua impopularidade recorde.

"É o momento certo para o presidente, que de qualquer forma não terá muito controle, anunciar e preparar sua saída", disse à AFP Philippe Moreau-Chevrolet, professor de Comunicação na escola de ciências políticas Sciences Po. 

Segundo o especialista, Macron "precisa de uma narrativa alternativa" e de deixar espaço para "especulações" sobre seu futuro. "Não fazer política não significa se aposentar completamente", ressalta Moreau-Chevrolet. 

Com suas declarações no Chipre, "ele estava falando de 'política' no sentido partidário do termo", acrescenta um colaborador próximo do presidente.

Uma vez fora da arena política, Macron espera se reconectar com o povo francês e recuperar sua popularidade, como aconteceu com o conservador Jacques Chirac.

Ao longo do próximo ano, "os últimos retoques da década que se encerra devem permitir revelar a dimensão completa" do seu trabalho, afirma um dos seus colaboradores mais próximos, que enfatiza "a independência industrial europeia face às crises". 

Os seus dois mandatos foram marcados pelos protestos sociais dos "coletes amarelos" em 2018 e contra a reforma da previdência em 2023, assim como por medidas massivas de apoio econômico durante a pandemia. 

Mas a sua decisão de convocar eleições legislativas antecipadas em 2024 mergulhou a França em uma profunda crise política, com uma Assembleia Nacional (câmara baixa) sem maiorias e dividida em três blocos: esquerda, centro-direita e extrema direita.

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