O papa León XIV defendeu nesta quinta-feira (23) a decisão de manter relações diplomáticas mesmo com "dirigentes autoritários", ao regressar de uma viagem pela África na qual foi recebido por autocratas no poder há décadas.
A Santa Sé "continua, às vezes à custa de grandes sacrifícios, mantendo relações diplomáticas em todo o mundo", explicou o papa norte-americano durante uma coletiva de imprensa a bordo do avião de volta a Roma desde a Guiné Equatorial.
"E às vezes temos relações diplomáticas com países que têm dirigentes autoritários", reconheceu o sumo pontífice, ao ser questionado sobre o risco de que sua visita fosse instrumentalizada para legitimar o poder estabelecido.
"Nem sempre fazemos grandes declarações, criticando, julgando ou condenando, mas há um enorme trabalho que é feito nos bastidores para promover a justiça, causas humanitárias" ou libertar presos políticos, acrescentou.
"É importante para nós buscar a melhor maneira de tentar ajudar as pessoas de qualquer país", ressaltou.
Durante sua viagem de 11 dias por quatro países da África, o papa foi recebido por Paul Biya, de 93 anos, no poder em Camarões desde 1982, e por Teodoro Obiang Nguema, de 83 anos, que governa a Guiné Equatorial com mão de ferro desde 1979 — ambos criticados por seu autoritarismo.
A Santa Sé mantém relações diplomáticas com 184 Estados, dos quais aproximadamente metade está representada por uma embaixada em Roma.
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