Após anos de avanços, as meninas estão novamente ficando para trás na matemática, revelou um estudo da Unesco nesta quinta-feira (23), com a proporção de países onde os meninos superam as meninas atingindo em 2023 um nível que não era registrado desde 1995.
"Essa tendência é preocupante", alerta a organização da ONU, que considera o domínio da matemática essencial "para impulsionar o desenvolvimento econômico e social, fomentar a inovação e encontrar soluções para problemas globais urgentes".
A análise, preparada em conjunto com a Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), baseia-se em dados do TIMSS (Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências) coletados entre 1995 e 2023.
Especificamente, os dados foram coletados em 47 países e territórios ao final do ensino fundamental e em 38 no início do ensino médio, incluindo Espanha, China, Austrália e Estados Unidos.
Embora "historicamente" as meninas tenham apresentado desempenho inferior ao dos meninos em matemática, essa diferença havia diminuído consideravelmente nas décadas de 2000 e 2010, apontam os autores.
No entanto, desde 2019 essa tendência se inverteu. Em 2023, os meninos superaram as meninas ao final do ensino fundamental em 81% dos países estudados, em comparação com 52% em 2019, 39% em 2015, 41% em 2011 e 26% em 2003.
A Unesco e a IEA atribuem esse declínio, em parte, aos efeitos duradouros da crise da covid-19, uma vez que o fechamento prolongado das escolas aumentou as perdas de aprendizagem em matemática e enfraqueceu a confiança e o engajamento das meninas.
Para reverter a tendência, as organizações defendem ações que comecem no ensino fundamental, fortalecendo a confiança das meninas em matemática por meio de atividades lúdicas, capacitando professores sobre vieses de gênero para combater estereótipos e garantindo o monitoramento sistemático dos resultados por gênero.
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