Em um novo capítulo da tensão entre Brasil e Estados Unidos, a Polícia Federal anunciou nesta quarta-feira (22) que retirou as credenciais diplomáticas de um servidor americano que atua em Brasília, em "reciprocidade" por uma medida similar de Washington contra um policial federal brasileiro.

Na segunda-feira, o Departamento de Estado americano informou pela rede social X que pediu que uma autoridade brasileira deixasse os Estados Unidos por ter tentado "manipular" o seu sistema de imigração e "estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos".

Em 15 de abril, as autoridades americanas libertaram o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) após dois dias de reclusão na Flórida. Ele dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), foi condenado por golpismo e é considerado foragido da Justiça brasileira.

Donald Trump também classificou de "perseguição política" o julgamento que condenou Bolsonaro, Ramagem e outros por tentativa de golpe de Estado em 2022, após a derrota do ex-presidente para o atual, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas eleições.

A prisão de Ramagem na Flórida foi "fruto da cooperação" de informações entre as autoridades migratórias de Brasil e Estados Unidos, disse nesta quarta-feira (22), em entrevista ao canal GloboNews, o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O dirigente da PF explicou que o delegado Marcelo Ivo, que atuava junto à agência de imigração americana ICE, teve suas credenciais de acesso suspensas em sua unidade de trabalho em Miami.

"Com pesar, eu retirei as credenciais hoje desse servidor dos Estados Unidos que aqui estava [na Polícia Federal em Brasília]" até que "a gente consiga definitivamente esclarecer" o que aconteceu, disse Rodrigues, alegando o "princípio de reciprocidade".

Lula já havia indicado na terça-feira que o governo brasileiro responderia de forma recíproca se ficasse constatado um "abuso de autoridade" contra Ivo. Rodrigues disse que não recebeu notificação de uma "expulsão" e que foi ele quem decidiu que o delegado retornasse ao Brasil.

Negou qualquer irregularidade na atuação do policial federal nos Estados Unidos e considerou "insana" a alegação de que ele teria tentado "enganar as agências americanas".

Segundo o diretor da PF, Ramagem foi detido na Flórida após uma infração de trânsito. "Foi feita uma abordagem [...], solicitada a documentação e identificado que ele estava com o visto cancelado pelo próprio ICE."

Os aliados de Ramagem atribuíram sua rápida liberação à intervenção direta de Trump.

O presidente americano impôs tarifas punitivas ao Brasil em represália pelo julgamento de Bolsonaro, que depois foram parcialmente suspensas em meio a uma certa distensão entre Lula e Trump.

Lula tentará se reeleger em outubro e terá como adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho mais velho do ex-presidente.

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