A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta quarta-feira (22), após uma investigação, que nem o Exército nem o Ministério das Relações Exteriores sabiam que dois agentes dos Estados Unidos participavam de uma operação antidrogas realizada no fim de semana. 

A governante de esquerda tem rejeitado reiteradamente as ofertas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que agências de segurança e até mesmo militares de seu país participem de operações contra o narcotráfico em território mexicano. 

A presença dos agentes americanos veio a público no domingo, depois que ambos morreram em um acidente de carro no estado de Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos. 

O procurador do estado de Chihuahua, César Jáuregui, informou no domingo que os "dois oficiais instrutores da Embaixada dos Estados Unidos" morreram em um acidente "quando retornavam da operação de destruição de laboratórios clandestinos" com funcionários estaduais. 

Sheinbaum disse nesta quarta-feira que a participação dos dois agentes americanos na operação contraria a Lei de Segurança Nacional, reformada em 2020 por seu antecessor e mentor, Andrés Manuel López Obrador, para restringir ainda mais a atuação de agentes estrangeiros no país. 

O Congresso também aprovou em 2025 uma mudança legal impulsionada por Sheinbaum para endurecer as penas contra atividades de espionagem estrangeira, em meio a pressões de Trump para aumentar os esforços no combate aos cartéis. 

"Verificamos se as Relações Exteriores, a Defesa Nacional ou a Secretaria de Segurança foram informadas, e a participação dessas pessoas não foi comunicada", disse a mandatária. 

Jáuregui afirmou na terça-feira a vários meios de comunicação que os americanos estavam "ministrando um curso sobre o uso de drones" em uma comunidade situada a cerca de seis horas por estrada do local onde a operação foi realizada. 

Segundo essa nova versão de Jáuregui, os agentes americanos "pediram colaboração para se deslocar junto com a caravana" na qual viajavam os agentes que retornavam da operação antinarcóticos. 

Militares mexicanos atuaram na destruição dos laboratórios clandestinos, mas o Exército "não sabia que havia pessoas participando que não eram cidadãos mexicanos", explicou Sheinbaum. 

Reportagens da imprensa dos Estados Unidos identificaram os agentes como pertencentes à CIA, informação que Sheinbaum não confirmou. 

A presidente acrescentou que conversará com a governadora de Chihuahua, a opositora María Eugenia Campos.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

ai/lp/dga/jc/aa

compartilhe