O papa Leão XIV visitará nesta quarta-feira (22) uma prisão da Guiné Equatorial conhecida por suas condições miseráveis, no penúltimo dia de uma viagem pela África na qual se pronunciou com firmeza sobre temas globais. 

O líder dos católicos chegou na terça-feira a este país de língua espanhola, rico em petróleo, mas profundamente desigual, depois de visitar a Argélia, Camarões e Angola. 

Na manhã desta quarta-feira, ele chegou a Mongomo, reduto do clã presidencial, perto da fronteira com o Gabão, onde celebrará uma missa que deverá reunir centenas de milhares de fiéis e, em seguida, visitará uma escola. 

"Estamos aqui unidos com os do Gabão, os da Guiné, para receber o papa Leão XIV", declarou Elena Rosario, estudante de 32 anos que chegou para assistir à missa na basílica de Mongomo. 

O sumo pontífice deve reunir-se com detentos da prisão de Bata, criticada por especialistas em direitos humanos pela superlotação extrema, higiene precária e maus-tratos a presos. 

Ele também conversará com familiares e jovens no estádio de Bata e prestará homenagem às vítimas de um acidente fatal que abalou essa cidade costeira em 2021, quando um incêndio desencadeou uma série de explosões em um depósito de munições que deixou mais de 100 mortos e 600 feridos. 

Na terça-feira, o papa exortou em espanhol a Guiné Equatorial a colocar-se "a serviço da lei e da justiça", uma declaração contundente em um país autoritário frequentemente acusado de abusos de direitos humanos. 

No entanto, seu tom foi mais moderado do que em suas escalas anteriores, quando condenou os "tiranos" que saqueiam o mundo, criticou a "exploração" por parte dos ricos e poderosos e confrontou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois que este último criticou o apelo do pontífice para acabar com a guerra no Oriente Médio.

- 18.000 quilômetros -

Leão XIV, de 70 anos, tem buscado um delicado equilíbrio na Guiné Equatorial, apoiando os fiéis sem respaldar o governo de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, o chefe de Estado não monárquico que está há mais tempo no poder. 

Quase 80% dos dois milhões de habitantes desta ex-colônia espanhola são católicos. A produção de hidrocarbonetos representa 46% de sua economia e mais de 90% de suas exportações, segundo dados do Banco Africano de Desenvolvimento. 

Mas, segundo a ONG Human Rights Watch, "as grandes receitas do petróleo financiam estilos de vida faustosos da pequena elite próxima ao presidente, enquanto grande parte da população vive na pobreza". 

O papa foi recebido na terça-feira pelo presidente e se pronunciou contra a desigualdade que cresce de forma "dramática" no país, durante um evento com a presença do vice-presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido como Teodorín e filho do governante. 

Ele foi condenado na França em 2019 por lavagem de dinheiro e desvio de fundos públicos e é conhecido por seu estilo de vida luxuoso, que exibe nas redes sociais, em um país onde a maioria é pobre. 

O papa concluirá na quinta-feira sua viagem africana de 11 dias e 18.000 quilômetros com uma missa campal na capital da Guiné Equatorial, Malabo, antes de voltar a Roma.

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