Uma imagem de um soldado israelense aparentemente golpeando uma estátua de Jesus Cristo com uma marreta no sul do Líbano gerou grande revolta após se espalhar nas redes sociais.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ter ficado "chocado e triste" com o ocorrido. Já o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, pediu desculpas "por este incidente e a todos os cristãos que se sentiram ofendidos".

Segundo moradores da região, a estátua estava em uma cruz do lado de fora de uma casa na periferia de Debel, um dos poucos vilarejos onde os residentes permaneceram durante a guerra de Israel com o Hezbollah.

O líder da congregação de Debel, o padre Fadi Flaifel, disse à BBC: "Rejeitamos totalmente a profanação da cruz, nosso símbolo sagrado, assim como de todos os símbolos religiosos".

"Isso contraria a declaração dos direitos humanos e não reflete civilidade."

Ele alegou que atos semelhantes já haviam ocorrido antes.

O exército de Israel confirmou que a imagem que circula nas redes sociais é verdadeira e disse que vê o incidente "como algo grave", destacando que a conduta do soldado é "totalmente incompatível com os valores esperados de suas tropas".

"Medidas apropriadas" serão tomadas contra os envolvidos", acrescentaram as Forças de Defesa Israelenses (IDF), afirmando que trabalham com a comunidade cristã para "restaurar a estátua ao seu lugar".

Milhares de soldados israelenses continuam a ocupar uma vasta área do sul do Líbano, mesmo após um cessar-fogo entre Israel e o Líbano entrar em vigor na semana passada.

O cessar-fogo interrompeu seis semanas de combates entre as forças israelenses e o grupo armado xiita Hezbollah, embora ambos os lados se acusem mutuamente de violações.

Repercussão internacional

Notícias sobre o ataque à estátua de Jesus no Líbano levou o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, que é pastor batista, a dizer que "medidas rápidas, severas e públicas são necessárias".

Comentaristas de direita dos EUA rapidamente se manifestaram sobre a foto do soldado israelense atacando a estátua. "Horrível", escreveu Matt Gaetz, ex-conselheiro do presidente Donald Trump e ex-congressista, ao republicar a foto.

A ex-congressista americana Marjorie Taylor Greene também compartilhou a foto e escreveu: "'Nosso maior aliado', que recebe bilhões de dólares dos nossos impostos e armas todos os anos."

Pesquisas indicam uma queda recente no apoio a Israel nos EUA, seu aliado mais importante.

Uma pesquisa do Pew Research Center, um think tank americano, mostrou que 60% dos adultos entrevistados nos EUA tinham uma visão desfavorável de Israel, um aumento em relação aos 53% registrados no ano anterior.

No mês passado, houve uma indignação internacional depois que a polícia israelense impediu o principal líder católico romano em Jerusalém de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para uma missa privada no Domingo de Ramos. As autoridades israelenses que a medida foi tomada por questões de segurança.

Huckabee classificou o episódio como um "excesso de poder lamentável que já está tendo grandes repercussões em todo o mundo".

Com as restrições israelenses permitindo reuniões religiosas de até 50 pessoas na época, ele disse que a decisão de negar a entrada aos líderes da Igreja era "difícil de entender ou justificar".

Um relatório de 2025 do Centro Rossing, uma organização sediada em Jerusalém que visa promover melhores relações inter-religiosas na Terra Santa, descreve um "aumento recente na animosidade declarada contra o cristianismo", atribuindo isso a "um aprofundamento contínuo da polarização e das tendências políticas ultranacionalistas".

A publicação de Benjamin Netanyahu sobre a estátua de Jesus foi escrita em inglês. Nela, ele afirmava que "a população cristã em Israel prospera, ao contrário de outras partes do Oriente Médio".

Ele ainda afirmou: "Israel é o único país da região em que a população cristã e o padrão de vida estão crescendo. Israel é o único lugar no Oriente Médio que adere à liberdade de culto para todos."

O Hezbollah começou a disparar foguetes contra Israel em apoio ao Irã dois dias depois de Israel e os EUA terem lançado uma guerra contra Teerã no final de fevereiro.

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Israel iniciou uma campanha militar em 2 de março, na qual mais de um milhão de libaneses foram deslocados e mais de 2.290 pessoas foram mortas, incluindo 177 crianças e 100 profissionais de saúde, segundo autoridades libanesas. Treze soldados israelenses e dois civis foram mortos em ataques do Hezbollah no mesmo período, afirmam autoridades israelenses.

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