O Irã prendeu mais de 3.600 pessoas por acusações relacionadas à guerra contra os Estados Unidos e Israel, que vão desde compartilhar vídeos com meios de comunicação sediados no exterior até a posse de terminais de internet Starlink, informou nesta terça-feira (21) uma ONG.
A organização Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou que esse número, com base em relatos da imprensa estatal e em sua própria investigação, representa um mínimo, dadas as atuais restrições de internet na república islâmica, e que o número real de detenções era "provavelmente muito maior".
A IHR informou que pelo menos 3.646 pessoas foram detidas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com ao menos 767 casos reportados após o começo do cessar-fogo, em 8 de abril.
"As acusações imputadas aos detidos incluem principalmente espionagem, comunicação com serviços de inteligência estrangeiros, transmissão de imagens ou coordenadas de locais sensíveis a meios de comunicação sediados no exterior e tentativa de estabelecer células operacionais ou realizar atividades armadas", indicou.
As autoridades também prenderam pessoas por usar e distribuir terminais de internet via satélite Starlink para driblar os apagões e por suposta cooperação com grupos monarquistas.
A IHR afirmou que entre os detidos estavam mais de 100 ativistas da sociedade civil, incluindo a premiada advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, que foi presa em 2 de abril.
A ativista de direitos humanos e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023 Narges Mohammadi segue presa após sua detenção em dezembro, ocorrida antes da guerra e dos protestos em massa de janeiro.
Mohammadi completou nesta terça-feira 54 anos atrás das grades na prisão da cidade de Zanyán, no norte do país, informou sua fundação, que advertiu na semana passada sobre seu estado de saúde "crítico" após um infarto sofrido em março.
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