A Justiça de El Salvador iniciou, nesta segunda-feira (20), um julgamento contra cerca de 490 acusados de pertencerem à gangue Mara Salvatrucha (MS-13), entre os quais há vários fundadores e líderes, informou a Procuradoria-Geral e o centro de tribunais do país.

As autoridades garantiram que, entre os milhares de crimes atribuídos aos réus, o grupo deu ordens para matar 87 pessoas em um fim de semana em março de 2022. Após esse episódio, o presidente Nayib Bukele declarou "guerra" contra as gangues e estabeleceu um estado de exceção que colocou mais de 91.000 pessoas na prisão.

O centro que reúne os tribunais de El Salvador detalhou em seu perfil na rede social X que são 492 réus no total, entre os quais há membros da chamada "ranfla" (máxima hierarquia), líderes regionais e fundadores.

A Procuradoria-Geral, por sua vez, apresentou um número diferente, de 486 acusados, aos quais são atribuídos "47 mil delitos cometidos entre 2012 e 2022".

A entidade disse que possui "provas abundantes para pedir as penas máximas", sem detalhar se seria a prisão perpétua, que entrará em vigor no domingo para punir homicidas, estupradores e "terroristas", segundo uma reforma legal aprovada recentemente.

A gangue MS-13 e sua rival Barrio 18, consideradas terroristas por Estados Unidos e El Salvador, chegaram a controlar 80% do território nacional, segundo Bukele.

O presidente é popular por ter acabado com o terror dessas organizações criminosas, mas ONGs denunciam cerca de 500 mortes nos presídios, tortura e milhares de prisões de inocentes sob o estado de exceção, que permite capturas sem mandado judicial.

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