O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, admitiu, nesta segunda-feira (20), no Parlamento que não deveria ter nomeado o ex-ministro Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, devido a seus vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein. 

A pressão sobre Starmer aumentou desde a sexta-feira, com novos pedidos à sua demissão, após ter sido acusado de mentir depois do surgimento de novas revelações sobre o processo de nomeação de Mandelson como embaixador. 

"No centro de tudo isto, há uma decisão que tomei e que foi errada. Eu não deveria ter nomeado Peter Mandelson", disse Starmer perante o Parlamento. 

"Assumo a responsabilidade por essa decisão e volto a apresentar as minhas desculpas às vítimas de Epstein", insistiu. 

O primeiro-ministro trabalhista encontra-se em uma posição embaraçosa há meses devido à sua decisão de nomear Mandelson, a quem demitiu em setembro passado após acusá-lo de "mentir de forma reiterada" sobre seus vínculos com Epstein. 

O jornal The Guardian revelou, na noite de quinta-feira, que o Ministério das Relações Exteriores havia habilitado Mandelson para o cargo em janeiro de 2025, apesar de um parecer desfavorável do órgão encarregado de verificar seus antecedentes. 

Após essa informação, Starmer demitiu na sexta-feira Olly Robbins, assessor do alto escalão do Foreign Office, que estava à frente dos serviços diplomáticos. 

Autoridades do Foreign Office decidiram ir "contra a recomendação" desse organismo, confirmou na sexta-feira um porta-voz do primeiro-ministro, acrescentando que nenhum membro do governo estava ciente desses elementos. 

O próprio Starmer garante que ninguém havia lhe informado sobre o parecer desfavorável até a semana passada. 

"Se eu soubesse, não teria avançado com essa nomeação. Esse parecer deveria ter sido comunicado a mim", afirmou.

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